Quando se apreende que o passado foi diferente do presente é possível traçar uma agenda para o futuro

Durante as férias Sextus manteve-se atento ao movimento browniano das gotículas exteriores das cristas das ondas.
Temos tido de tudo, até o magnífico manifesto cacânico da união nacional. Felizmente que o líder do partido da oposição deu uma resposta apropriada mas qualquer psitacismo político é de dificilima abolição.
Tivemos também mais uma excelente entrevista do nosso engenheiro sobre os grandes vectores dos movimentos das gotas acima referenciadas, discurso potenciado pela habitual entrevistadora, um pregado dos mais antigos e distintos da aquacultura política lusitana.
Tive também a oportunidade de ler a crónica do meu amigo JPLN no Delito de Opinião. Quero deixar aqui algumas notas de rodapé a um texto que merece a minha concórdia, notas cuja utilidade está inversamenete associada á popularidade do conceito de superavit de um orçamento nacional.
Muitos contrapõem que um Estado equilibrado vive ao par com um défice orçamental e tal tem sido verificado na maioria dos casos no ocidente. Repare-se que mesmo as regras consideradas apertadas para entrar na moeda europeia incluíam um respeito por um défice inferior a 3%. Outros, com mais atrevimento e alguma boçalidade costumavam atirar que um Estado não se governa como uma empresa, e de facto têm alguma razão, a grandeza Tempo tem um valor completamente diferente numa empresa. Podemos facilmente conceber que um Estado faça investimentos cujos resultados só serão aparentes na geração seguinte a quem, legitimamente, irá caír parte do pagamento. Acresce a este tipo de raciocínio dois factores relevantes que são facilmente remetidos para o esquecimento.
O primeiro é a grandeza do orçamento do Estado ocidental, todos com valores superiores a 25% no Ocidente, mesmo acima dos 30% no caso da Europa dos quinze e perto dos 30% nos EUA. Nesta etapa pós delírio de casino, os valores andam perto dos 50%. Ou seja, o défice agora incide sobre uma fatia restante muito menor, a sua repercussão negativa nas outras actividades não estatais é comparativamente muito maior. Durante todos os séculos passados da idade moderna e medieval o orçamento estatal variava entre 10 e 20%.
O segundo factor é a consistente diminuição da taxa de crescimento no mundo ocidental, em permanente decrescendo desde o fim da década de 60, década favorecida por se encontrar quinze anos depois da grande destruição e beneficiando dos efeitos de disponibilidade de capital exterior (plano Marshall). Uns poderão acalentar que esta diminuição do crescimento seja temporária, ou esperam um novo salto tecnológico.
Embora um pirrónico esteja mais do que precavido sobre a tonteria de antecipar o futuro, Sextus avança dois argumentos razoáveis. A taxa de crescimento vai continuar a descer desde que o sistema de vasos comunicantes entre os dois mundos, o ocidental e o oriental se mantenha operacional – é importante lembrar que o rendimento per capita de um chinês anda à volta de um quinto de um luso. Segundo, uma inovação tecnológica raramente leva a uma aceleração do crescimento, este pensamento é o resultado de uma apressada leitura dos efeitos da máquina a vapor e do transistor, facilmente desmentidos por vários outros exemplos o mais exuberante deles sendo o computador, cuja disseminação se associou a uma desaceleração de crescimento de 7 para 4% ao ano.
A conjugação de uma dívida pública pesada com um orçamento tomado na sua maior parte por despesas correntes associados a uma dívida cujos juros são superiores à soma do crescimento com a desvalorização monetária tornam mandatória uma rápida e eficaz retirada do Estado de vários sectores.
Aqui entra a política e sai a união nacional. Aqui deve começar a narrativa e devia acabar a vacuidade discursiva disfarçada pelo turvar das águas pelos irrequietos pregados, solhas, linguados e similares.
JPLN tem razão, não vai ser possível continuar a gerir o estado como tinha sido, mais ainda e determinante, porque o desemprego veio para ficar.

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