A química de Lavoisier refundada na Lusitânia-Cacânia

A pequena equipa dos jovens médicos de serviço à periferia mal abandonou as lusa paragens e já a profecia (fraca sentença é verdade, qualquer oráculo de terceira categoria a proferiria) de Sextus se cumpriu. Multiplicam-se os comentários depreciativos do diagnóstico e terapêutica, a gotosa e desesperada família cada vez mais desfalece e entontece na perspectiva da prescrita sangria.

Sextus também achou que o trabalho da jovem equipa não merecia grande aplauso. Afinal não se apercebeu (ou não pôde em consequência das debilitantes universidades onde se graduou, uma na Europa das formas generosas, outra na Ivy League dos tempos modernos onde se ensina que o potencial vale mais que o adquirido, confundidos numa só entidade, em perfeita contradição com o mandamento de que ganhos no passado não garantem ganhos no futuro) que a Lusitânia-Cacânia não era tão pobre quanto isso, fruto do apriorismo dos povos setentrionais sobre a não comprovada pobreza dos povos meridionais.

O que se tem passado aqui é uma monumental combinação de mau investimento (aparentemente os bancos cacânicos outorgaram 60% dos créditos ao imobiliário que se encarregou de construir 80 mil fogos/ano numa terra com 500 mil já sem comprador) com um extraordinário despesismo de que não faltam exemplos, desde os auditórios, os multi-usos, as auto-estradas e SCUTs, os inúmeros gestores de coisa nenhuma, etc, etc. Acresce a má qualidade da força de trabalho e a habitual pouca iniciativa de muitos empresários. Falta a cobertura do bolo em forma de corrupção e inépcia do Estado encimada pela enormíssima cereja da absentista e manipulada Justiça.

Sextus lamenta que os partidos que contestam o incumbente desgoverno não focalizem a atenção nalguns destes pontos. Alguma da discussão tem passado ao lado desta centralidade, o engenheiro desviando para o estado social os competidores enredando-se nalgums particularismos.

Mesmo assim, Sextus tem esperança (pode um pirrónico acalentar tal?) que a Lusitânia não se torne num extraordináro case study – o governo que a lança na bancarrota é livremente reeleito.  

Lavoisier ficou livre do esquecimento através da celebrérrima frase, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A Lusitânia-Cacânia, afirmando a essência do seu ser quer ganhar a posteridade por uma nóvel máxima: no seu seio, tudo se dilui, tudo evanesce, só perdura a tresloucada cacafonia e cacânica actividade.

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