O decálogo de Russell ou como tirar uma discussão do vocabulário propagandístico

Muitas vezes conseguimos mais inspiração e melhor colheita quando ouvimos aqueles que pensam de forma muito diferente de nós. Nesta altura, seguindo o recompensador decálogo de Russell, Sextus propõe utilizar informação veiculada pelo professor da esquerda e continuando com uma proposta fora da caixa.

Recentemente F Louçã lembrou a distribuição da carteira de crédito da banca portuguesa, 60% atribuído ao imobiliário e 7% distribuído pelo mundo empresarial (não referiu os outros 33%, grande parte envolvidos em posições noutras empresas, geralmente de monopólio do estado). Como seria de esperar não retirou uma derivação que Sextus propõe aqui: enquanto que a banca não voltar ao seu núcleo de negócio habitual, o investimento no capital e na actividade das empresas não pode sequer ocorrer um esboço de recuperação. Certamente que várias medidas podem ser tomadas para atingir esse objectivo mas não se deve esquecer que o capital procura naturalmente o investimento com melhor rácio e com menor incerteza. Sendo o investimento mais seguro quando se dirige para o estado torna-se necessário retirar o mais possível o estado do acesso à banca e não o que defende o nosso professor de esquerda.

O pensamento fora da caixa passa pela não cedência ao discurso maioritário nesta campanha que emparelha sempre a baixa das taxas lançadas pelo estado num sector com o aumento correspondente noutro de forma a obter a soma nula. Há que ter a convicção de afirmar que tal casamento não é virtuoso, muito pelo contrário. Não será tão difícil como parece a alguns dada a baixíssima e comprovada ineficiência dos investimentos do estado, bem exemplificada pela não linear relação entre a dívida pública e o crescimento da economia. David Ricardo já o tinha sugerido. O que Ricardo não poderia antecipar é que a introdução cada vez mais funda do estado na actividade económica se acompanhasse pelo continuado alongamento do prazo para saldar as dívidas, problema que em Portugal atingiu foros de verdadeira calamidade. Junte-se a tradição de abandono do dinheiro colectado aos interesses de pequenos grupos e temos uma combinação reprodutora de dívida não virtuosa.

Mais do que discutir problemas relativamente menores que em parte foram introduzidos pela tríade dos médicos em serviço á periferia, conhecida como troika, é imperioso corrigir o mais fundo possível certas atipias lusas que minam a economia e que estão definitivamente subjacentes à década perdida.

Como pensamento adicional fora da caixa Sextus realça a dinâmica de esboroamento da CE. Em tempos de vacas magras raramente há lugar para projectos conjuntos de devir incerto e necessidade inaparente.

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Uma resposta a O decálogo de Russell ou como tirar uma discussão do vocabulário propagandístico

  1. Vieira da Cunha diz:

    Felicito-o pela prespectiva e profundidade desta sua reflecção, que ,infelizmente traduz bem a realidade que nos espera
    vieira da cunha

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