Numa Europa incompetente e desorientada voltamos ao inevitavelmente sós, o que não é nada mau desde que recusemos ser a avetruz como desígnio

Sextus já aqui escreveu que sente algumas similitudes entre estes tempos e aqueles que o bispo de Hipona vivenciou, apesar de todas as cautelas em não tomar a nuvem pela tempestade. Nessas alturas, o poder deixa de apresentar uma solução sustentável e acaba por ser substituído por quem se apresenta na antecâmara do salão central mesmo que ainda não esteja preparado para assumir esse papel, nunca está, aliás.

Na Europa das formas generosas parece estar a ocorrer este processo. Estamos ainda numa fase em que os portadores do ceptro têm muita pouca qualidade, antes ainda da emergência dos candidatos com sangue e projecto novos.

 Na Lusitânia, região periférica mas por inerência a primeira a sofrer os ventos da mudança,  sempre houve a crença preguiçosa que as medidas a tomar e os caminhos a trilhar nos seriam fornecidos pela Europa, mais central e mais desenvolvida. Esta infantil postura apoiava-se em algo sólido no passado, o que de modo nenhum se verifica no presente.

Veja-se o caso dos governadores do banco central lusitano. O anterior governador lá permaneceu por longos anos, mais de dez e nada ouviu, nada viu, nada pensou. Foi promovido a vice do banco central europeu e agora lá debita alguns comentários sobre fitas passadas, tornando-se um dos exemplos da sonolência europeia, consequência da sua obesidade que lhe impede o sono reparador durante anoite. Quando acorda, está ainda cansada, confusa, balbuciando sentenças parciais e inverdadeiras. Quando tenta ser mais assertiva, profere disparates por superficialidade.

Compare-se com o actual governador do banco central luso. Rapidamente passou a divulgar as análises adequadas à deprimente realidade local, divulgando teses e previsões para o médio prazo facilmente subscritas por qualquer que se tenha informado – Sextus recomenda por exemplo o livro de Álvaro Santos Pereira sobre Portugal e a hora da verdade.

Duas derivações a tirar. A Europa das formas generosas está muito mal equipada de gente para liderar este complexo processo de evolução que combina crise de ética, de moral, financeira com a inevitável transição de força de influência do oeste para o mais populoso este, que embora afectado por cultura de corrupção endógena grave e espírito colectivista também cultiva de há muito uma meritocracia que borbulha na sopa da ditadura tradicional.

A segunda é a especulação se não teria sido menor o desastre da gestão do engenheiro se houvesse poder real de instituições do estado que devem ter função reguladora, para além das várias entidades ditas de tal, Sextus pensa particularmente no banco central e no tribunal de contas mais intervenientes e consequentes.

Não sabe Sextus o que será ainda necessário fazer mais para que os lusitanos apreendam que persistir nos homens que aqui nos trouxeram não consegue ser justificável mesmo perante as naturais angústias que antecedem a abertura do melão.

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