Portugal na hora da verdade e a jangada de pedra em versão reduzida ou a ilha da Páscoa revisitada

A desgraçada imprensa luso-cacânica alimentada por frases de temporização desastrada e por vezes mesmo intrinsecamente ineptas, vai passando elegantemente ao largo do que é essencial. De certo modo é sempre assim, apenas se nota mais quando o desespero ou o medo pretendem a sublimação pela assumir público. A desgraça anunciada parece sempre menor, o pudor vencido acaba por banalizar a cena.

A Lusitânia, no entanto, apresenta uma situação única. Nunca tinha havido uma conjugação da maior dívida pública em mais de 100 anos, com o maior défice externo , com a mais elevada taxa de desemprego dos últimos quarenta anos, o menor crescimento do PIB desde os anos 50, a menor taxa do crescimento demográfico desde sempre, com a segunda maior leva de emigração dos últimos cem anos e ainda outros factores francamente anunciadores da quebra do mastro no meio da borrasca.

É sabido que a ilha da Páscoa não tem árvores, já as teve e de grande porte e que serviram para levar as pesadas estátuas dos deuses locais. A desflorestação completa é ainda mal compreendida, mas certamente houve o momento em que um pascoano se decidiu a cortar a última árvore, provavelmente já em mau estado. O que terão sentido ele e os outros do seu clã?

O que é que pensam os lusitanos agora? Certamente que o engenheiro não foi responsável pelo abatimento de todas as árvores, mas foi o mais activo e principalmente foi aquele que não podia dizer que não via que tudo estava a acabar.

Agora que o barco, á deriva na borrasca, com os mastros vencidos e com o velame rasgado espera dramaticamente por madeira nova, não vamos retirar o machado a quem loucamente geriu aquilo que nós depusemos em favor da comunidade?

É verdade que nada na história indica que a sabedoria guiou os povos ou as elites desses povos, mesmo assim Sextus crê que a impossível vitória do engenheiro seria não a tradução de que uma comunicação coloca um sabonete no governo, mas sim a antecipação que chegamos a um estado de tal negação que nem do sabonete precisamos, podemos eleger o nada. A pós-Cacânia, em suma.

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