O candidato do PSD que é um bom candidato para o PS …

Pedro Passos Coelho convidou Fernando Nobre para cabeça de lista por Lisboa e deu-lhe a sua palavra de que, no caso de o PSD ganhar as eleições legislativas,  seria o candidato do PSD  à Presidência da Assembleia da República. Manda a tradição que o partido mais votado escolha o Presidente da Assembleia e , nesse sentido, não parecia que fosse surgir qualquer problema.

Infelizmente para todo o processo, Fernando Nobre fez algumas declarações muito infelizes. O “timing” errado da candidatura ao cargo  associado ao ambiente crispado da campanha eleitoral  fez o resto, transformando o que poderia ter sido uma eleição sem história num problema.

Um problema que, inclusivamente, justificou um parágrafo num acordo de entendimento bipartidário para o Governo. O CDS que foi capaz de se entender com o PSD em temas em que tal pareceria mais difícil, não foi capaz de se entender  no caso respeitante a Fernando Nobre, alegando posições “prévias”. A generalizarem-se alegações como esta hoje não existiria um acordo entre os dois partidos.

Eu, insuspeito de simpatizar com a personagem, reconheço que o PSD tem a prerrogativa de escolher o próximo Presidente da Assembleia da República e entendo que este facto acabará por merecer a devida atenção e consideração dos outros partidos, nomeadamente do CDS. A tradição é importante nesta nomeação e, estou convencido, também vai ser neste caso.

Por outro lado, Fernando Nobre é um candidato muito bom para o PS.  António Costa, com a sua sagacidade habitual,  já o veio lembrar a certos socialistas distraídos. Infelizmente para o PSD, as razões para Fernando Nobre ser um bom candidato para o PS são exactamente as mesmas que fazem dele um mau candidato para o PSD. Não custará muito ao meu improvável leitor descobrir que razões são essas e deixo-lhe esse exercício.

Tudo somado,  parece certo que Fernando Nobre será o próximo Presidente da Assembleia da República. Pedro Passos Coelho deu a sua palavra e vai, naturalmente, cumpri-la, apoiando a sua candidatura e garantindo a maioria dos votos do PSD. Pelas razões anteriormente expostas, o mesmo se vai passar com o PS.

Os votos do CDS não serão necessários, mas deviam ser bem ponderados por este partido. Numa coligação há acções que caiem bem e ajudam a reforçar a confiança entre os parceiros.

Esperemos que Pedro Passos Coelho não se venha a arrepender de ter dado a sua palavra a Fernando Nobre, embora seja muito bom que fique demonstrado, mais uma vez, que temos um Primeiro Ministro que honra a sua palavra.

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Sobre António Vieira Lopes

Liberal na Economia. Pouco. Conservador em tudo o resto. O que é muito. Morrerei médico.
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