Governem, governem bem, salvem a Pátria ou o plano B que passa a A quando a Europa se transfigura em Dido

Tomou posse o novo governo pondo fim a um ciclo dramático de atrevimento misturado com incompetência, como tristemente é hábito nestas terras. Não é nada entusiasmante lembrar que todas as bancarrotas lusitanas ocorreram nos últimos duzentos com a excepção de duas, uma delas em regime de anexação por Espanha.

A constituição do governo parece adequada, a crítica da falta de experiência política e governativa já foi respondida de forma repetida e definitiva, nada há a acrescentar (a adicionar só o descaramento deste pseudo-argumento emergir quando convém, sublinhando a pouca qualidade do debate vigente).

Segundo parece, PPC resolveu não nomear novos governadores civis. Sextus aplaude mas teria preferido outra forma de actuar já que este tipo de situação, se houver a reclamada coragem (os nórdicos preferem o termo da focalização ou recentragem num ponto) vai ser repetido muitas vezes e será conveniente afastar essas pessoas de forma a que fique em evidência a pouca utilidade do lugar e não do ocupante, o chamado controlo de danos.

Um problema que este governo enfrenta é o denso nevoeiro que cobre a Europa neste Verão, nunca a silly season foi tão perigosa. Talvez que o novo  ministro das finanças esteja realmente conhecedor de todas as cambiantes das alternativas postas efectivamente em cima da mesa. O que poderia ser o plano A, ou a permanência de Portugal a qualquer custo dentro do euro e o mais óbvio que permitiria porventura ultrapassar este impasse incluiria a descida dos salários, para se aproximar dos 20 a 30% antecipados pelo excelente Hernâni Lopes, misturado com a venda de activos ao exterior – e já agora a completa exclusão de grupos nacionais às privatizações para assim haver diminuição da dívida externa, um debate que falaciosamente tem sido desviado para a dívida pública, Sextus quer dizer que qualquer diminuição da dívida pública à custa do aumento da dívida das empresas nacionais é completamente improcedente – pode ter que passar para o plano B, a saíada do euro e a busca de um estatuto de semi-associado da Europa, se esta sobreviver desfigurada.

Uma importante diferença entre o presente e as bancarrotas no passado reside na clamorosa ausência de linhas de orientação para além das necessárias mas não suficientes, nem sequer as ideias sopradas do estrangeiro são sensatas, da Grécia e de Creta vêm errados augúrios, caminhos espúrios e medonhos naufrágios. Anquises não está presente para levar a ver o futuro, só Trichet, Juncker, Rahn e Constâncio – Strauus-Kahn volta, és um artista ao menos.

Como O. Spengler anunciava há noventa anos, o capital para sobreviver tem que enfrentar as finanças e afirmar a sua supremacia e governância da sociedade. Quem não percebeu isto não está em condições de escolher. 

As apostas que a Europa se transfigure em Dido nos próximos meses aceitam-se, simultâneas á tonta guerra que alimenta na vizinhança das terras da rainha.

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