Sextus revela-se realmente inconveniente e agita o espantalho ou classe média levanta-te e assume o poder

Sextus teme que o seu incrustado e constituinte pirronismo o cegue perante o lento desvelar da história e como o marinheiro de muitas marés acabe por falhar no reconhecimento da grandeza da tempestade.

A entrevista de Barroso no início desta semana mostrou bem duas coisas: a incapacidade de revelar o que se passa e a suspeitada eleição de Godot como líder europeu. Esta combinação explosiva remete para Aristófanes (Nuvens), Platão (República), Agostinho (Cidade de Deus), Spengler (Decadência do Ocidente) e para a “Glorious Revolution”.

A incapacidade / impossibilidade de revelar que o modelo ocidental de sociedade está encurralado pela competição com o modelo oriental, confronto global em todas as vertentes, incluindo a governativa. Barroso claramente transpareceu a dificuldade de encontrar um denominador comum com significado entre tantas nações. O confronto é entre a democracia e a oligarquia, sendo que o resultado depende essencialmente do vigor do momento mais do que propriamente de características únicas de  cada um  que lhe garanta vantagem decisiva. O vigor da democracia ocidental está quase completamente esgotado, resta saber se do outro lado o mesmo não se passa.

Seria curioso (ou lamentável, talvez melhor) o resultado entre dois moribundos, talvez nunca tenha acontecido esse confronto na história – no tempo presente o conflito pode ocorrer independentemente da ausência de grande vontade para o deflagrar de qualquer dos oponentes.

A Barroso também não lhe é permitido o reconhecimento da quase impossibilidade do crescimento global, embora tenha havido longas épocas em que tal ocorreu, provavelmente não na actual, única, que miscigena diferenças enormes de estadios de bem-estar e de custos de produção com capacidade tecnológica igual para 95% dos produtos, os restantes 5% em que o ocidente ganha é imputável ao mundo militar, decisivo em guerra aberta, mas não em fase de tréguas. e ao mundo farmacêutico no que interessa à resolução dos últimos anos de vida, importante a nível individual mas que nunca decidirão sobre o curso da história.

A revelação de que estariam a ser avaliados trinta e seis modelos de novo resgaste para a Grécia é apenas um momento de autêntico teatro de “vaudeville” que os dirigentes actuais da europa de formas generosas mantêm em cena.

A discussão do outro lado do Atlântico entre os que pretendem reanimar os EUA com mais investimento público em infra-estruturas e os que pretendem reanimar a economia cortando na despesa revela a impossibilidade de contar à nação aquilo que a espera, a reentrada na fila, embora sempre em lugares cimeiros tendo em conta a dimensão territorial e a grandeza populacional. É uma outra materialização do que se passa deste lado, com algumas vantagens para os americanos, como Sextus tem referido mas também sofrendo algumas desvantagens decorrentes da não resolução dos problemas negro e hispânico – para ser politicamente correcto, Sextus não está obviamente a lançar qualquer discussão rácica, apenas a reconhecer problemas que existem e que gastam recursos e ânimo.

Falta a “Glorious Revolution”. É verdade que a pátria desse movimento mostra que também essa já foi substituída há algumas décadas, provavelmente por uma democracia, talvez como seria inevitável, lembre-se Platão e Políbio. De qualquer modo, nos grandes momentos nada se inventa há séculos, o que é primordial é sabermos agarrar o rochedo sólido onde encontramos a Decência e a Liderança para hieraquirzar os Bens e fazer as escolhas inevitáveis (ler Aron). Tal só foi possível com a “Aristocracia” (que é verdade degenera em oligarquia), que neste estadio de desenvolvimento humano só pode ser eficazmente desempenhado pela classe média.

Se a classe média não se levantar vem aí a barbárie gerada pela deliquescência de valores e de vontade incutida à maioria das populações por um grupo de audazes (ver Platão) do mundo das finanças, autênticos condores inaladores de cocaína . Muitos, confiadamente sorrirão, foi a  postura da maioria na Cidade de Deus., Agostinho morreu na véspera do assalto.

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