Dos rapazes, para os rapazes, pelos rapazes ou os stess tests são as novas oportunidades

Os resultados dos testes de stress feitos aos bancos europeus pelo BCE, venerável instituição onde reside o nosso querido Dr. Constâncio (já vai em milhares o número de comboios que viu passar defronte da janela do seu confortável gabinete e de que guarda um inultrapassável registo) foram magníficos, apenas uma pequena parte das instituições não conseguiu atingir o patamar de exigência mínima.

Resultados tão auspiciosos, que confirmaram a bondade extrema dos anteriores testes de 2010, que já tanto tinham serenado os bancos e que rapidamente voltaram a emprestar dinheiros uns aos outros, diminuiram as angústias dos rapazes. Manifestamente, idêntico desempenho só pode ser igualado pelos rapazes das novas oportunidades – certamente já a primeira grande contribuição do nosso cada vez mais querido Dr. Constâncio.

As novas oportunidades, descobertas há muitos anos mas espectacularmente modificadas pelo génio cacânico-lusitano, foram desenhadas da forma mais apropriada a garantir o sucesso para os rapazes que se candidatam.

Convém lembrar duas pequenas coisas. Uma, o rácio de capital exigido foi de 5% mas a proposta do novo acordo de Basileia a ratificar avança com 8%, limiar que levanta dúvidas a muito boa gente que está convencida que um rácio entre 12 a 15% seria muito mais adequado a tempos de incerteza.

Segunda coisa pequenita, estes testes apenas são quantitativos e para modelos de stress adequados a rapazes. Na realidade não se faz e Sextus concorda que seria impossível fazê-lo, pelo menos nestes moldes, nenhuma apreciação qualitativa, isto é, facilmente se percebe que ter um rácio de 6% de uma equilibrada carteira de crédito é muito mais seguro que um rácio de 10% de uma carteira de crédito recheada de magníficos investimentos do tipo empréstimo para comprar acções milenares pelo meçenas Berardo ou para o excelente projecto de financiamento do Metro do Porto – que na altura, avaliado pelos rapazes de um concurso europeu de projectos obteve um maravilhoso e tranquilizador segundo lugar.

Platão ao discutir as formas de administração política admitia que a degenescência da aristocracia em oligarquia incluia o eclodir de um pequeno grupo de audazes que capturava um poder que se diluia numa aristocracia decadente.

O poder financeiro foi entrgue a um grupo de rapazes (tolos) capturados por uma pequena vara de audazes que tudo deglute e estraga à sua passagem para depois exigir que outros a limpem – Sextus nada tem contra o mundo financeiro desde que o não obriguem a partilhar as suas perdas, Sextus por lá andou, de lá saiu, ganhou e perdeu e nunca lhe passou pela cabeça partilhar os seus lucros ou pedir para atenuar os seus prejuízos, chamava-se a isto o risco moral, palavra abolida de forma audaciosa, não agora mas desde as crises do início do século XX.

Platão acreditava que na maior parte dos casos a oligarquia era seguida pela democracia, aqui nesta época foi o oposto: as novas oportunidades promoveram uma degenerescência intermediária da democracia para a oligarquia e se nada for feito de significativo seguir-se-á proavelmente uma tirania adaptada, ou seja, dos rapazes, para os rapazes e e pelos rapazes na aparência, no fundo, atrás da cena, dos audazes, pelos rapazes, para os rapazes. 

Hoje à noite parece que transmitem o big looser ou o master chef ou whatever

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