De regresso… trago uma fábula de bancos e criadores de cavalos…

Após interregno prolongado dedicado a preparação e prestação de provas de exame, alguns dias de férias e uma escapadinha à Galicia, apraz-me o regresso à profícua “tertúlia” cafeínica. Privado da ronda informativa diária e enlevado noutras temáticas,  apanhei pela rama os desenvolvimentos das últimas semanas.

Tal como nas novelas sul-americanas, mesmo perdendo vérios episódios, depressa me re-centrei. O Governo vai descobrindo crateras ocultas e aumentando impostos enquanto prepara o campo para a dolorosa redução da despesa. A união dos caciques Socialistas elegeu o António José de Penamacor e deposita muitas esperanças nele… Este por sua vez vai fugindo como pode aos comprimissos assumidos pelo defunto Engenheiro… Os Marxistas, qual criopreservados, parece que estão quase a ter razão….

Posto isto, leio há pouco no DE uma notícia acerca de um assunto que desperta em mim expectativa e cepticismo… as privatizações.

BIC vai pagar 40 milhões para ficar com o BPN

Sendo uma privatização diferente de todas as outras, não deixa de ser um prenúncio de um futuro provável…

Há alguns anos atrás, num jantar de vindimas, por entre petiscos locais e malgas de verde tinto, dei comigo a conversar com um criador de cavalos de competição, amigo de um amigo. Dada a minha ignorância absoluta acerca de equinos, inundei-o de perguntas de principiante, às quais pacientemente retorquiu. Recordo a excepcional resposta quando o indaguei acerca do valor comercial de um bom cavalo de corrida em Portugal. Resposta: “Bom , sabe… num país como Portugal, um bom cavalo de competição vale aquilo que o burro quiser dar por ele…”. Ainda hoje não sei quanto custa um cavalo, mas aprendi alguma coisa acerca de especulação, oferta e procura…

Embora esta metáfora não se aplique em muitos negócios, encaixa que nem uma luva no BPN. O poder negocial do estado é próximo de zero… nas privatizações que aí vêm as permissas são as mesmas (excepto pelas condições das empresas), o que é preocupante. A necessidade de liquidez é inversamente proporcional ao valor potencial do que se vende. Não é novidade para ninguém.

Surpreendente pode ser o enquadramento pós-privatização. O que se vende, em que quantidade e a quem parecem questões fundamentais. Somos um país pequeno, propenso a monopólios, com baixa competitividade e deficit concorrencial em muitas áreas. Arriscamos um verdadeiro leilão de pechinchas, inclusivamente sectores lucrativos (CTT, CGD,…). Quem costuma pagar são os contribuintes/consumidores. Espero, por uma vez, alguma audácia, sentido de serviço público e um desfecho diferente.

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Uma resposta a De regresso… trago uma fábula de bancos e criadores de cavalos…

  1. Andre Sardinha diz:

    Parabens,

    Um comentário mais que pertinente e arreliador para alguns. Já o meu tio me dizia: os negocios vendem-se no auge, não em quda , e muito menos quando estamos aflitos…

    Se o preço da gasolina, electricidade, trasnportes e comunicações não baixar apos 2 anos de concorrência, poder-se-á afirmar que o plano de privatizações foi um fracasso pois não so depaupurou o patrimonio do Estado, como também não aumento o rendimento disponível dos portugueses.(através do nemor preço a pagar pelos bens e serviços).
    A questão do mercado pequeno é meramente utilizada como desculpa. Há mercados pequenos com concorrência e em que o consumidor ganha facilmente com as constantes disputas dos concorrentes. Vide o mercado da alimentação, a título de exemplo.

    Bem, vamos ver no que isto dá.

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