Depois dos buracões da Cortina de ferro descobre-se Wall Street reificada em Foam Street ou se há sombras chinesas também haverá tigres de papel

Estes tempos curiosos que vivemos são únicos por definição mas partilham com outros não remotos muitos parãmetros. Assim como a situação lusa que partilha com vizinhos problemas mas também consegue reunir particularidades.

Sextus com a sua costela médica pensa no cirrótico que se remete como último recurso para a ilusão de que algumas semanas a cozidos e grelhados e uma toma diária de águas milagrosas mas indigestas e impalatáveis possam garantir o retorno aos hábitos alcoólicos.

Em 1907 e 1929, algo de similar se passou. Neste intervalo, três variáveis novas foram introduzidas.

Uma, a dimensão do problema, a economia estava consideravelmente menos bancarizada e alavancada do que agora. Segundo a nova dona do FMI só os bancos europeus poderão necessitar de 200 mil M de euros. Se comparamos os indíces financeiros da Argentina na altura da sua última bancarrota com os dos países da periferia da Europa contristámo-nos em perceber que os dos sobrinhos de Martin Ferro eram melhores.

A segunda variável nova foi a desacoplagem da moeda de referência do padrão ouro, só possível pelo privilégio muito especial de que gozaram os EUA desde o seu triunfo na guerra. Desde aí o dinheiro virtual domina claramente. A informática deu um empurrão inovador à especulação.

A terceira varável nova é a perda de peso no bolo mundial dos países ocidentais. A patética insistência de que o mundo poderá entrar numa nova recessão ignora que mais de dois terços do mundo tem reais perpesctivas de continuar por mais alguns anos em modo incremental.

A governância, usando um termo tão caros aos modernos gestores, que nos desgovernou nos últimos trinta anos vai ser paga. A crença na possibilidade de criar emprego no mundo ocidental conforme repetidamente clama Krugman é já do domínio das epifanias, não do mundo da análise crítica. A realidade é que cerca de três quartos do mundo tem vindo a melhorar de nível de vida, é verdade graças á globalização, mas chegou já a um estadio em que não necessita da maior parte dos produtos ocidentais, a não ser como marca de afirmação social. Certos sectores da produção ocidental vão escoar os seus produtos no sul e no oriente mas para dar lucro e emprego a relativamente poucos.

Aqui, na Europa das formas generosas nas vésperas de lhe ser apertada mais ainda a banda gástrica que compulsoriamente lhe foi aplicada, as auroras deixaram de ser róseas. Na doce Itália quem tem até trinta e cinco anos aspira a encontrar um emprego que lhe renda até 1000 euros e 58% deles vivem com os pais, metade por opção, enquanto que na charmante Gália, 50% vive com menos de 1800 euros mensais, dito de outra forma, ordenados principescos comparativamente com os competitivos indianos, tailandeses, malaios, chineses e outros.

Na Lusitãnia-Cacãnia, em vésperas de dar um mergulho igual em estrondo ao que o Egeu testemunhou, há algumas coisas que se podem fazer que Sextus desepera por ver anunciadas. Umas são as famosas cirugias estéticas, outras tão importantes são as que nos levem de volta a um nível de auto-suficiência muito maior do que o presente. Tal como está, o melhor que podemos esperar é que a Europa dê lugar ao que sempre foi, um espaço onde os vizinhos discutiam, peleavam, maldiziam e por vezes banqueteavam de forma amigável. O banquete terminou, como vão estar os humores depois dos excessos?

A consistência de Wall Street não parece ser superior á da pedra pomes, no meio do teatro de sombras os bancos parecem tigres de papel. Prudente é aquele que se basta a si mesmo.

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