Quando a actividade humana, maioritariamente de natureza não lógica entra em conflito com o sistema criado, esse de cariz essencialmente lógico, ganha o mais sustentável, morre o sistema

Alguns economistas antevêem a crise perfeita algures entre 2012 e 2013, altura em que o tapete já não comporta tanto lixo. Tem sido uma evolução mágica estes últimos anos em que sucessivas desregulações combinadas com aventureirismo, defeitos estrurais e abolição do risco moral tem conseguido passar pelos pingos da chuva até á chegada da tal tempestade.

A desregulação do trabalho tem sido feita pela abolição de fronteiras o que permite que sociedades em diferentes estádios de evolução e de enquadramento laboral troquem mercadorias e serviços. Obviamente isto provocou a subida dos salários nos mais pobres e um empobrecimento nos mais ricos.

A desregulação do capital misturada com a permissão de crescimento desmesurado e cruzamentos atrás de cruzamentos de comparticipações, fortemente apimentada por conselhos de administração fortemente coniventes com apostas em autênticos jogos de azar de capital com a cereja no bolo da já tradicional eliminação do risco moral tem levado a descobertas alarmantes.

Os defeitos estruturais da concepção da sociedade, por um lado um estado social absolutamente incomportável com a evolução demográfica, por outro uma emissão de dinheiro perfeitamente descontrolada sem qualquer suporte real para além do número no visor do computador, associados ãs pulsões humanas de quanto mais e mais imediato melhor – é curioso especular o que terá levado alguns homens a apostar na agricultura, mas não haverá dúvida que terá começado em climas muito quentes e húmidos que garantem a recompensa muito rápida do trabalho da sementeira – tem realmente criado ilusões mais perigosas que as miragens.

O sistema político está agora num impasse natural, raramente as reformas são exequíveis, o que ocorre em tempos de grave crise são substituições. Muito ingenuamente seria isso que permitia a democracia liberal, substituições sem grandes solavancos. Certamente que essas substituições implicariam uma mudança de moldura de modelo de sociedade, no fundo foi assim que evoluiram os partidos nos últimos dois séculos, a diferença de modelo transfigurada em ideologia permitia identificar a singularidade ao eleitor.

Sextus compreende que quando a matriz é muito forte os nós mais distantes continuam solidários mesmo com grandes abalos. e na realidade têm sido os ganhos financeiros das franjas ditas ultra-liberais que têm ainda alimentado a grande ilusão do estado social, embora com a participação maioritária da taxação da classe média para sustentar esse engano no presente.

Cabe aos novos eleitos na Lusitânia-Cacânia perceber certas coisas. A primeira será reconhecer que a mudança de vida que se exige é muito grande. Será que podem contradizer Spengler e afirmar que já é possível ser não socialista no tempo presente?

Provavelmente ainda não chegou o tempo mas tudo poderá ser acelerado se já não for exequível esconder a maior parte do lixo durante a análise dos créditos bancários. Um novo resgate de grande dimensão será talvez o virar de página. O que o livro conta a seguir Sextus não sabe, mas duvida que inclua narrativas de captura do produto pelos estados da ordem dos 50% ou da continuação da intermitência despudorada do risco moral.

A actividade humana é maioritiamente de tipo não lógico e por vezes entra em conflito com a dinâmica própria dos sistemas, por inerência lógica. Sextus crê que estamos chegados a esse tipo de encontro. O resultado nunca varia, ganha o mais forte.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Uma resposta a Quando a actividade humana, maioritariamente de natureza não lógica entra em conflito com o sistema criado, esse de cariz essencialmente lógico, ganha o mais sustentável, morre o sistema

  1. Roque diz:

    Ganha o mais inteligente (razão), o que melhor sabe adaptar-se aos movimentos do sistema (natural e social), sobretudo àqueles movimentos com origem na emoção.
    Os devedores sempre estarão nas mãos dos credores. A interdependência é boa quando mandamos nos interdependentes.
    Um Povo que não consegue grangear energia para viver e alimentos para se alimentar, cedo ou tarde fica em “aflições”. Elementar caro Sextus. Bom texto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s