Sextus escreve uma crónica completamente diferente ou o larício perde protagonismo

Sextus tem consciência da monotonia dos seus escritos ou não fosse caracteristica proeminente dos cépticos o de sentirem nada ter a proclamar.

 De tempos a tempos, até o cepticismo quase cede e pode-se ouvir o “je sais, je sais”! Então tratando-se do domínio da economia este reivindicar de sabedoria é ainda mais necessário e pelo menos pode garantir a capacidade para reunir uma assembleia. Nem sempre isto é fácil de distinguir da alternativa mais próxima do que realmente se passa, a esquina da rua foi paga e ocupada por um funcionário instruído com megafone instalado e a retransmissão foi acautelada. A curiosidade, publicidade e a agregabilidade fazem o resto.

Nesta semana, dois economistas orientais produziram dois comentários interessantes que reenviam os ocidentais para alguma reflexão. Um chinês veio lembrar a bizarria de nações pedirem ajuda financeira à China apesar de usufruirem de um PIB per capita superior em cerca de dez vezes. Outro, sul-coreano exortou os ingleses a recrear uma manufactura que destruiram em vez de depender dos ganhos gerados na City.

A discussão sobre a crise ocidental tem sido muito focalizada na dívida soberana e na crise de fundos dos bancos e quase que parece que as soluções serão as mesmas sem ter em conta os diferentes terrenos onde medraram estas imparidades.

A solução a procurar pelos EUA, não poderá ser repetida no Japão ou na CE. Lendo R Reich, Sextus achou iluminante a necessidade que Reich afirmava dos EUA, mais do que emprego, assegurarem salários, entenda-se no contexto de queda discreta mas persistente dos mesmos desde o fim dos anos sessenta, bem traduzido por um aumento da pobreza nos EUA apesar de que metade desses pobres trabalharem a tempo inteiro e um quarto a tempo parcial. Reich lembra ainda que, de costume, a riqueza centralizada nos estratos mais ricos não gera tantos empregos e receita como a que é distribuída mais abaixo na pirâmide social. Como muitos economistas dessa área Reich continua a pedir mais políticas de expansão. 

 Outro documento mais recente norte-americano remete para a guerra iminente pelos bons empregos, guerra que poderá ser ganha por aqueles que combinam grande capacidade de trabalho com grande capacidade para estudar (não é bem o mesmo tipo de requisitos).

De qualquer modo, as soluções que a sociedade americana irá escolher não poderão ser replicadas na Lusitãnia que parte de um ponto muito diferente. Nem sequer pela zona da CE que está mais equilibrada do ponto de vista financeiro.

Nunca foi possível prever o futuro, nunca um modelo conseguiu apresentar as soluções optimizadas para um quadro de problemas. Todos os interessantes trabalhos sobre projeções da sociedade irão certamente falhar. Se a globalização sobreviver haverá sempre lugar para a diversidade e todas as particularidades continuarão a apresentar forças de contra-vapor.

Neste entretanto, o céptico atento deverá preferir vias de autonomia, abandonando o mais possível situações de dependência de saber, de capital e de produto. O comércio livre e independente atenuará algumas debilidades inultrapassáveis.

No fundo da linha, não se poderá voltar a gastar aquilo que já se gastou. Discursos moralistas só aproveitam aos amorais, se os padeiros  sucessivamente contratados roubam permanentemente a farinha, muito mais útil que colocar um polícia é fornecer-lhe menos farinha. os clientes acabarão por formatar o pão que estão dispostos a aceitar.

Sextus deixa uma recomendação para o fim de semana. O governo actual deve estar consciente que toda a gente tem passado e é muito importante que o presente não colida frontalmente com o passado, melhor dito, a sociedade deseja uma mudança de sentido guiada por quem não tem que desdizer tudo o que fez; esses devem passar por um decente período de reflexão na plateia. A melhor táctica não ultrapassa o défice de credibilidade.

Parece que muitos que leram “Animal farm” não o fizeram até ao fim.  Nesta altura, o larício não consegue aceder á boca de cena sem provocar um bocejo incómodo de uma irritável plateia.

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