De Atenas ao palácio de Cristal até se perceber que só há alheiras

Por muito que custe a aceitar os lusitanos continuam a percorrer o caminho que rasgaram para uma menorização merecida e inevitável. Os dependentes que têm sorte ficam sob tutela mais esclarecida, os infelizes caem sob tutelas incompetentes, fica por adivinhar qual a sina que lhes coube.

Ouvindo o actual ministro das finanças percebe-se claramente que não restavam outras alternativas ao corte substancial da despesa do estado. Também se compreende que não cabe ao ministro dispersar quantidades consideráveis de pessimismo pela população mas também é cristalino que os cortes anunciados e os que hão-de vir não bastam para extrair esta tresloucada nação do buraco onde se meteu.

Consultando os gráficos da despesa do estado confirmámos que cerca de 90% dos impostos recolhidos destinam-se ás despesas de funcionamento do estado e aos gastos sociais. Os 10% restantes não são suficientes para enfrentar a enorme dívida e os juros e poder-se-á antecipar que na próxima geração o estado não terá capacidade para apoiar nenhum projecto de  desenvolvimento.

O falhanço é completo mesmo tendo em conta os avanços feitos no equipamento em infra-estruturas nas últimas décadas. Talvez um dos maiores exemplos de erro, não pelo valor absoluto mas pelo que representa de renúncia e ilusão, é a abissal diferença de produção de cereias entre Espanha e a Lusitânia, 20 milhôes de toneladas lá, 180 mil toneladas cá, ou seja menos de 1/100.

Sextus também concorda que já basta o conjunto de indivíduos que ocupam o tempo a maldizer e confessa que as soluções disponíveis ao ocidente são fracas e à Lusitãnia ainda menos. Quando se cometem erros sucessivos o desenlaçe habitual é o desastre. A desindustrialização europeia está agora a apresentar a factura. Os loucos anos oitenta e subsequentes cegaram muita gente que pensou que os serviços e uma vantagem tri-secular de conhecimentos iriam garantir um modo de vida aos ociosos ocidentais. A realidade veio dar razão a quem pensava diferente.

A dificuldade em mudar a trajectória é própria do medo da mudança e da desoneração e inibição gerais que esta sociedade foi criando. A isto acresce a ironia que enquanto é habitual nos momentos de fractura serem as inovadoras raposas que emergem, estes tempos de crise constituem o resultado da acção destes elementos e não dos leões conservadores, recorrendo à terminologia de Pareto. Ao contrário de muito do que se diz, não é o esgotamento do modelo, foi o advir da incompetência do desenvolvimento do modelo e isto foi uma escolha naquilo que é exequível como escolha.

Esta crise é essencialmente o resultado da falência da formação de líderes, a escola que  Platão reclamava como estruturante – e muitos outros lhe deram razão, incluindo Sextus – não resistiu na pós-modernidade paralisante e infantilizante, ou seguindo Musil, cacainizante, do Palácio de Cristal de Sloterdijk.
A Lusitãnia caiu no buraco pantanoso que criou. Alguns estão a fazer o seu trabalho de casa, será que este resiste a quem sempre cabulou e que continua a ocupar as melhores carteiras dando ares de perceber.
A capacidade de aprender com os próprios erros aproxima-se de zero, apesar de algumas excepções, até agora o melhor produto dos conversos são as alheiras, que se feitas por mãos desleixadas de espíritos relapsos constituem uma indigesta mixórdia. Infelizmente é sabido que a maioria das alheiras lusas são de fraquíssima palatabilidade.

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