Quando a história emerge não é a economia que decide, estúpido ou Sextus corrige Clinton

Em intervalos de história, por definição calmos, é a economia que ocupa sem par o palco deserto. Durante estes períodos tomam-se decisões, ordenam-se prioridades que irão depois influenciar grandemente o contexto em que a história se desenrola de novo. Se o intervalo for excpcionalmente longo abarcando muitas gerações podem mesmo ocorrer importantes mudanças culturais. Se os intervalos compreenderem menos tempo, apesar do que possa parecer, a cultura da sociedade sofre pequena e desprezível evolução. Trinta anos, uma geração, constituem sempre intervalo demasiado curta para permitir mudança cultural de relevo.

A diferentes culturas devem corresponder diferentes organizações sociais. Certamente que Sextus não espera que estas relações sejam exclusivas e certos povos apresentam particularidades que lhes permitem aparentar divergentes organizações mantendo a sua matriz cultural constante ao longo de várias gerações. Os povos utilitaristas mantêm a mesma cultura ao longo de séculos, com organizações que evoluem, os povos do centro europeu e do sul, muito mais sistemáticos (os povos do sul são do mais sistemático que há no mundo ocidental) tendem a apresentar relações exclusivas entre cultura e organização.

Ao contrário do que possa parecer, em momentos de grande crise que por definição se acompanham de acelerações da história, num grande número de vezes o movimento social recua no modelo de organização, refugia-se em aspectos mais viscosos e inertes da sua cultura e inconscientemente procura modelos anteriores de organização. Quando pode haver dificuldade de compatibilização entre um modelo anterior de organização e a fase da cultura dessa sociedade em crise é necessário recorrer a vários artifícios para manter a coesão e o sentido do devir social. Jogam papel predominante as vestes cerimoniais, que a muitos poucos se adequam e que exigem realmente sabedoria no seu trajar.

São nestas alturas em que mais do que o texto da cerimónia, interessa o cenário. A Lusitãnia chegou provavelmente a um desses momentos. Não é a economia, claramente numa trajectória inescapável para a bancarrota que consegue centralizar o olhar da sociedade, só até um certo ponto, é preciso reconhecer que existe alguém que vestiu o traje. A diferença entre a debandada bárbara e a retirada penosa está na presença ou não dos líderes no terreno da derrota.

Sextus recomenda a PPC que, sem deixar de fazer o que tem de ser feito, com a bancarrota e recessão inevitáveis, pense bem se os seus ministros se acomodam e se apresentam bem nessas vestes. O resultado final não muda, o que pode mudar são o declive do terreno onde o resultado é reconhecido e a competência aparente de quem lidera.

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