O teatrinho do palácio de cristal não decide nem re-presenta e quando os espectadores não podem ser actores fecha-se o teatro, reabre-se outro

No pretérito fim de semana a nata política da Europa ocidental promoveu novo ajuntamento com os resultados do costume mas com algumas novidades de permeio.

O teatrinho incluiu algumas falas não escritas como a culpa foi ter permitido  países que não estavam preparados aderir ao euro e que uma vez integrados encetaram um programa incontrolado de dívida ou outra de humor mais ancestral se os bifes não pertencem ao clube não podem entrar em todos os convívios.

Com este último Sextus até concorda, o argumento nórdico e britãnico de que aquilo que o clube do euro decidir também os afecta serviria para sustentar o convite para a festa de outros países, a começar pela China e acabar nos povos da primavera magrebina – boa piada de Sextus, digam lá, esta da primavera. Esta tendência moderna para tudo argamassar e nada distinguir está muito disseminada e um raciocínio viciado é facilmente proferido e logo mais ou menos aceite.

O lamento sobre a permissão aos países do sul em entrar no euro deve ser contraposto pela alegria que o mundo financeiro europeu e não só gozou durante os anos em que emprestou para tudo e coisa nenhuma com rendas garantidas e risco quase nulo. Agora que sem ser convidado emergiu o risco é que há dores de cabeça e de barriga. Manifestamente, os europeus de agora não são tão dotados como Pantagruel que tudo comia e tudo digeria. 

A manutenção do mito do crescimento mais a combinação de atrevimento com o afastamento do risco moral trouxe-nos aqui. A interligação dos activos leva à inibição das execuções. A falência inevitável, parcial num primeiro tempo e completa num tempo final no que diz respeito à Grécia, nada do que a troika queria vai ser conseguido, vai falhar a capacidade de pagamento da dívida e vai falhar a retoma do crescimento , não vai levar ainda à apreensão do que tem que vir, primeiro na Europa e depois nos USA.

Para que se declare o fim da festa ainda falta um bocado.

Na Lusitânia-Cacânia, se o jovem ministro das finanças não tiver uma folga importante, depois de se ter elevado na realização deste orçamento, embora Sextus lamente que não tenha ido mais longe, será levado ao sacrifício lá para a segunda metade de 2012, quando se tornar claro que a recessão da actividade nacional não será de 2.8% mas entre 6 a 7%. Nessa altura, a falta do cumprir dos objectivos será sublimada com alguns sacrifícios.

Já Flauvert tinha compreendido que a Europa do seu tempo não tinha capacidade para actuar e decidir, no intervalo a das formas generosas tresleu Rabelaisse, a deste tempo dá-nos o teatrinho daqueles que não têm poder, nem para decidir nem para re-presentar a sociedade – perdida esta característica, fecha-se o teatrinho.

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