Crise ocorre quando o dilema tem uma resolução impossível

A crise do mundo ocidental pode ser vista como o cansaço extremo resultado de um modo de vida de derivação em derivação, esborratando acentuadamente os objectivos que pretensamente perseguimos mas que esgotantemente falhamos, com a adição determinante dos meios  usados nunca serem os primários mas os secundários, terciários  e mais ad nauseum. No meio desta obnubilação generalizada restringe-se a discussão sobre alguns desses instrumentos, muitas vezes apenas pessoas cuja pequenez é panfletariamente transmutada em grandeza e singularidade. Haja paciência para tanto desnorte.

Um amigo de Sextus comparava esta desorientação com a queda do império romano mas a situação actual é muito menos complicada se olhada numa frente, não existe um confronto com outro modo civilizacional e não se depara com a morte dos deuses dessa sociedade, ou seja, a mudança estrutural a ocorrer eventualmente é muito menor. A destruição dos deuses é a provação mais difícil para qualquer povo.

Curiosamente, a situação actual exige mais do que a vivida no findar de Roma  e logo está muito mais sujeita ao insucesso, honra te seja prestada divino Janus. Do que se nota em falta nestes tempos é de tentar reposicionar a orientação da evolução social, recolocando numa segunda fila os audazes, infelizmente irresponsáveis por definição e recuperar para a boca de cena os conservadores, também por definição os derrotados.

A este dilema impossível chama-se crise.

Transpondo este texto para a discussão finaceira e económica actual, crise surge quando o modelo de financiamento repousa  substancialmente no pressuposto do crescimento, incluindo o populacional e o erro de apreciação do passado exige política de contenção geradora de variável recessão. O apelo de um economista norte-americano “it’s the consuming, stupid” é a perfeita quadratura do círculo – com os salários forçados a diminuir como é que se pode consumir mais numa sociedade que gera mais reformados que novos a entrar no mercado de trabalho.

Penosamente o mundo ocidental vai redescobrir duas coisas: o palácio de cristal não é eterno nem inesgotável, ocorre o tempo e o espaço em que causa implica consequência e quando se abrem canais novos, pelo menos durante algum tempo, a água vai baixar.

Igualmente a Roma, chegou a hora de pagar uma postura para a qual não havia recursos, similar a Roma, os comandantes vêm apresentando sinais de involução de qualidade nem que  seja apenas decorrente do cansaço. Os romanos não tinham óculos, os actuais desfiguram perigosamente, ambos dão visão imperfeita.

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