O passado não pode ser modificado mas está sempre sujeito à reescrita

A cimeira europeia da semana passada foi um fracasso antecipado pelas ameaças de que não haveria uma segunda oportunidade feitas pelo senhor Sarkozy. Na realidade ainda vai haver mais oportunidades até se poder, finalmente, encarar o óbvio, o passado pode ser reescrito mas não modificado. Vai chegar a altura em que os ocidentais vão aterrar depois da quimera icariana de mais alto e mais crescimento. Até novo salto tecnológico tal não será possível, a tarefa será imensa para tentar acomodar e controlar a bomba demográfica e ecológica.

A Lusitânia-cacânia, num arremedo único de consciência, proclamou pelo seu ministro maior que o que tem de frente é o empobrecimento, tem besonha como complemento inescapável a reforma paralela da postura. Quem proclama a pobreza, e com razão, tem que dar procedimento a várias alterações fundamentais que neste momento pré-histórico, têm sido traduzidas pelas famosas reformas tão ansiadas e hoje sabidas que novamente reclamadas pelos credores, que têm sempre muita força. Parafraseando a mais importante frase proferida em vinte anos de vida pública por uma ex-ministra, os lusos só com o garrote aplicado ao pescoço é que mudam, Sextus tira a devida vénia perante a presciência.

E que reformas é que são necessárias? Oh, são tantas, mas sem mudar a justiça e as muito esquecidas gorduras do estado não vamos lá. As desprezadas gorduras do estado são muito mais importantes do que agora é afirmado. Quando se evita um desperdício isso permite desviar essa poupança para o financiamento das empresas e possibilita a direcção de algumas cabeças pensantes – porque as há nos temperados gabinetes estatais – para tarefas mais produtivas.

A justiça é no entanto o único nó górdio que os lusos podem desatar e que tem uma influência notável no triste descalabro que os aflige.

PPC tem que estar absolutamente focalizado nestas duas missões – as reformas do estado e da justiça, sem isso juntar-se-á a indigência moral e cívica à pobreza material. Os cortes nos ordenados são difíceis mas realmente poucas células cinzentas demandam.

Não vale a pena enveredar por reclamações de maior clareza na administração, de maior plausibilidade nas escolhas das prioridades e das pessoas. Através dos séculos a governação foi ao par com a imprevisibilidade do chefe, com o afastamento dos mais próximos, com o recrutamento dos capatazes sem  espírito e sem vontade. A conquista do individualismo com as suas ligações à partilha do poder e da glória vai ao par, de forma inesperada mas necessária com a atenuação da meritocracia. A  meritocracia como propriedade de uma sociedade de pares é um desejo piedoso na maior parte das épocas e lugares, fugazes sobreposições de nuvem com Juno numa minoria.

Será que pode haver pobres mas despertos? O passado diz-nos que não e não pode ser modificado, aguarda poder ser reescrito.

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