O atraso português e o manifesto liberal conservador

O atraso português é infelizmente uma ideia que passa confortavelmente o teste da falsificação de Poper e hoje teve mais uma legível manifestação – até às 18 horas de hoje os jornais de grande circulação nacional falhavam consensualmente a notícia do dia, o empréstimo de cerca de 500 mil milhões de euros do BCE a cerca de 500 bancos da zona euro enquanto que os outros congéneres europeus a reportavam e comentavam.

Esta muito relevante notícia merece ser mais detalhada, embora tal não contribua para a sua percepção, tal é o casamento entre o artifício, o oculto e a demencialidade vigentes.

Assim este montante foi facultado a 1% de juros com maturidade a três anos. A origem do dinheiro não é clara, embora sabendo que os fundos do BCE provêm dos bancos centrais europeus e do FMI especula-se que este montante terá sido negociado junto da FED a taxa de 0.25%. Que se saiba não há evidência de nenhuma obrigação adicional contratual sobre o montante emprestado pelo BCE que poderá ser usado para compra de dívida pública ou para renovados investimentos especulativos por parte dos bancos. O que se sabe é que o crédito foi todo tomado e especula-se que poderá haver uma segunda sessão em Fevereiro – não há dúvida a Itália assusta mais que a Espanha.

Muitas derivações se poderiam obter desta gigante e única operação de crédito mas uma das principais é que juro de 0.25% só pode estar racionalmente associado a perspectiva de zero crescimento nos USA – veja-se a análise hoje publicada pela associação americana de mediadores imobiliários –  e assim é completamente inviável o pagamento dos juros da dívida americana sem reformas muito importantes no seu orçamento- os americanos acabam de retirar hoje o último soldado americano que tinha passado a tarde a democratizar o último iraquiano, a conversa tinha que acabar, mesmo que arriscando o insucesso porque o Iraque sofre actualmente de caprichos na electicidade.  

A outra derivação é o potencial lucro dos bancos europeus se comprarem dívida pública. Talvez se possa compreender melhor o sucesso registado pelos leilões espanhol e espante-se grego das suas dívidas, um a cerca de 2.5% e o outro a 4.5%, o que tornou a venda helénica muito melhor que os resultados dos últimos leilões portugueses.

Outra ainda, de carácter mais especulativo é a dissociação dos ratings das dívidas soberanas publicitadas hoje com este emergir de liquidez, a interpretar quer sob o prisma de interesses óbvios, manipula-se o preço do artigo apesar da relação procura-oferta se deslocar no sentido oposto ou então a já proverbial inépcia destas agências.

No fim do dia a derivação mais importante é que nunca como agora foi mais óbvio o descontrolo sobre onde é aplicado o dinheiro que a todos nós (está bem, não serão todos) é retirado sob a forma de impostos.

No meio deste emaranhado Sextus avança com as primeiras linhas do manifesto liberal-conservador: um fantasma ameaça e destrói o ocidente liberal e conservador, o fantasma da aliança entre o risco moral zombie e o transexual socialismo financeiro.

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