A venda de parte da EDP ou das sombras chinesas, pelas marionetas sobre a água até ao vento que não passa

Como é inescapavável a venda de parte da EDP a uma empresa estatal chinesa possibilita extrair vários derivados e qualquer ocidental que se preze não foge a isso para não ser classificado como primário e obtuso, cego para as magníficas faces do poliedro fractal dos significantes.

A primeira derivação é a espantosa pobreza da informação lusa, apressada e misturando tudo e mais alguma coisa, na simplérrima verdade, não foi uma privatização. Melhor, um estado vendeu a sua parte ao outro estado, isto enquadrado numa afirmação da necessidade do estado se retirar da economia só poderia ser bem tratado por um teatro de sombras chinesas.

Segunda derivação, esta venda imposta até pelo trio de economistas à periferia baptizados de troika mostra que a reforma da governação não é o seu primeiro motivo mas sim assegurar o pagamento do que devemos, o que é sumamente entendível mas que produz nova derivação, a saber que quem espera estar livre do ónus da decisão sobre reformas escudando-se no texto troikiano está enganado, ou aqui é preciso aparecer e não estar atrás da cortina.

Quarta derivação, este governo não tem uma política externa clara, um país desta dimensão terá dificuldade em assegurar a bondade de uma postura tão ambiciosa de estabelecer pontes com siginificado com quatro continentes, Europa, América, África e Ásia – compare-se com a modéstia de uma estratégia irlandesa ou holandesa, apesar desta última ter um passado quase tão global como o nosso e um presente muito mais opulento que o português ou como o teatro na água das marionetas vietnamitas é rápido, só deixa salpicos e recomeça facilmente, o cenário repete-se está sempre pronto.

Quinta derivação, o interesse que a EDP suscita sustenta-se num modelo que nos levou à ruína, é verdade que não só a nós. A EDP construiu o seu saber e competência na energia eólica – embora tal seja muito exagerado, infelizmente veja-se a desoladora instalação da eólica off-shore ao largo da Póvoa de Varzim, parada, o vento não passa por lá, fazendo pairar o fantasma do flop monumental do ensaio  sobre a energia das marés, também no mesmo local – porque recebeu gordurosos subsídios oriundos dos impostos que todos pagamos (nem todos), sem ter de ter em conta análises de custo-benefício. Este modelo de desenvolvimento socialista ou de capitalismo de estado vai levar á ruína toda a classe média ocidental já que vigora de Vancouver a Pyongyang. Logo abaixo de Vancouver, em Seattle, mora a Boeing subsidiada sem limites pelas encomendas do exército americano que a coberto dos altos interesses da defesa do estado pode viver em abundãncia sem nada ter que justificar (diga-se em abono da verdade que o mesmo faz a Airbus).

Aqui deveria estar um dos pontos de viragem do projecto de sociedade do ocidente, a captura da actividade económica pelo estado se não for drasticamente reduzida vai levar á produção de um instável bolo com magníficos cremes na cobertura apoiada num miolo quase inexistente.

Há muitas razões para esta evolução, uma das principais foi a assunção que o derivado vale mais que o seu fundamento, por mais ágil em gerar outros derivados, ou a trágica eliminação do padrão ouro substituído pelo dinheiro fabricado no computador, cuja presença quase nunca é provada mas cujo desaparecimento é facilmente validado.

Por último e como resposta ao meu companheiro de blogue deixo uma nota de cautela justificada quando quem nos compra não nos aprecia, lembro que uma das alcunhas com que os orientais mais comumente nos mimoseiam é olhos de boi e que na história se encontra facilmente algumas contas que os orientais têm a saldar com o ocidente.

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