A tarefa hercúlea de lidar com uma política quântica ou quando a navalha de Occam fica romba

A enormíssima quantidade de dados que são postos em circulação sobre tudo e coisa nenhuma contribui para subdividir a sociedade em vários grupos, que não são estanques e que possibilitam a transição entre eles.

A primeira subdivisão faz-se entre os que têm fácil acesso a essa fractalidade noticiosa e os que não têm, e a Lusitãnia-cacãnia irá ficar como sempre nos que não têm. O luso cansa-se rapidamente e perante o contraditório mais ou menos paradoxal melancolicamente renuncia. É claro que desta forma também é poupado a vestir roupagens sem gosto e de nanoduração – aliás o medo do ridículo é enorme aqui, com os inerentes prós e contras.

A segunda subdivisão é entre as grandezas de manipulação de dados, geralmente associada de modo inverso com a concorrencialidade de informação. Aparentemente tal como o universo, a concorrencialidade já teve o seu pico e agora aproxima-se do seu nadir, uma dezena de agências informativas controla o fornecimento dos dados em todo o mundo. Em situações de dificuldade torna-se fácil perturbar a transmissão com um dumping abrupto de dados.

A terceira subdivisão, um pouco resultado das duas anteriores mas não só, faz-se entre os que conseguem produzir pensamento com maior dose de autonomia e aqueles mais propensos – por vezes de forma voluntária e consciente -a produzir pensamento grupal que pode fornecer uma vantagem operacional muito significativa.

Aqui chegámos a um dos grandes paradoxos deste século, talvez o último da sociedade em que nascemos, o viver no engano e mesmo bastante afastado da realidade pode ser a solução vencedora e destrutiva das outras opções de sociedade. Paradoxalmente a sociedade que produziu o projecto da manipulação em massa pelos meios modernos da imprensa foi o berço da individualidade pós-clássica, a pérfida Albion.

A soberba com que muitos olham para o que se vai passando na Coreia do Norte é claramente desajustada, de facto viver no engano é o destino do homem, quer de forma consciente quer inconsciente. Melhor, as realizações e conceptualizações da ciência ocidental, toda ela devedora das grandes raízes gregas, assentam num muito provável brutal enviesamento, Euclides estava errado, Planck estava mais certo.

Um dos paradoxos de hoje é fazer aquilo em que já não acreditamos, é propagandear aquilo que já não lemos. Exemplos terrivelmente corriqueiros abundam, quase tantos como os norte-coreanos, pensem na cartilha da progressão económica, nas agências de notação, nos cálculos da inflação e do PIB – aqui a Lusitãnea tira proveito, para o seu PIB entra obviamente o orçamento do estado, incluindo a rubrica pagamento dos juros de dívida, ou como a dívida sempre acabou por nos ajudar -na sustentabilidade da segurança social e nos descontos que fazemos para as reformas, nas leis e na administração das leis…

A esquizofrenia, companheira inseparável do homem não irá viver em paz num universo multiverso planquiano suportando para cúmulo a invasão da inteligência artificial.

Vêm tempos de rebanho, mas quantos e de quê? Pobres animais, os pastores serão terríveis.

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