Nos intervalos, neste tempo, a “silly season” dura todo ano, convenientemente

Estamos a iniciar a segunda metade de janeiro, o mês mais frio do inverno, é verdade que bastante seco e pelo que parece um dos picos da silly season. O que se ouviu e leu a propósito das nomeações e das classificações da agência de rating não é costume na altura do torneio das seis nações (Sextus preferia os tempos das cinco) mas mais na época em que Wimbledon se desenrola e os dias são mais quentes.

As nomeações para conselhos de supervisão são muito boas para passar tempo. esses conselhos têm uma inutilidade sobejamente reconhecida, de tempos a tempos exibida quando as coisas correm mal e todos os seus membros de qualquer ramo ou latitude manifestam a sua inevitável ignorãncia sobre o que se passava. O que nos disseram sobre os bancos lusos, anglo-saxónicos, americanos, franceses, espanhóis, alemães, belgas, japoneses, “you name it” deveria bastar, mas sabemos que o género humano nunca se sacia.

Os critérios de nomeação para esse tipo de órgãos estão descritos desde tempos imemoriais, a recompensa do companheiro, a anulação do adversário, a ocultação pelo parceiro e a ignorância do estulto. Já o divino Júlio o sabia não sei porque é que era suposto que os menos divinos contemporâneos os ignorassem.

Também não foi propriamente brilhante a crítica por PPC ter aparecido a contrariar essas nomeações. Pelo contrário, nos tempos modernos nada pode ficar sem resposta e tudo se equivale. A ideia que este tipo de erros marca pontos de viragem não está sustentada de forma apropriada. às vezes constituem, na maior parte dos episódios não e como seria de esperar tal só se sabe ex-post. Nos tempos do auge da crítica ao envolvimento americano no Vietname, ao deparar com as manifestações violentas face à Casa Branca, indo até dentro dos seus jardins, Nixon sofria de crises de ansiedade com náuseas, vómitos, diarreia. Trinta anos depois, no auge da crítica ao envio de tropas para o Iraque, perante ajuntamentos de igual jaez, Bush só pensava que no dia seguinte seriam menos. Um político do século XXI apenas requer uns lenços Renova, já agora perfumados.

Outro grande foco de atenção foi a divulgação das notas da Standard & Poor’s que finalmente – haja deus – começa finalmente a acertar depois de anos de erros e erros. É verdade que Sextus acredita que a probabilidade de permanecer no erro de forma continuada é diminuta e podemos estar em face do acerto aleatório, do acerto esforçado ou do acerto encomendado, é até possível que os três se misturem.

A governância do mundo – oh delicioso termo criado pela nóvel classe dos gestores, como diria Kuhn muitas vezes arautos de coisa nenhuma – oscila entre a conspiração, o desígnio e a aleatoriedade. Se deus não joga aos dados, o homem joga.

A consulta da trajectória lusa leva a antecipar um inevitável desastre. Alguém que não consegue crescer há dez anos, que vai ter uma recessão de vários mais, a pagar juros que por agora representam mais de 10% da receita do estado e que no próximo trimestre representarão mais ainda, o que é que pode esperar a não ser que os mercados se deliciem com as hipóteses de lucro junto de um desesperado e se acautelem ao mesmo tempo. Se isto puder servir para a grande geoestratégia, verdadeiramente o melhor dos mundos encontra-se.

Pobre PPC, vai ter que começar a governar, até agora foi só apenas cortar, necessário mas não suficiente. A questão importante é se é possível governar neste intervalo, talvez não seja, apenas parecer como se até a história tomar conta.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s