Na novilíngua, o disparate liberta

Segundo uma das várias lendas que rodeiam o taoísmo, Lao Tzu abandonou a China entristecido pelo comportamento dos seus conterrâneos. Ao cruzar a fronteira, rumo ao Tibete, foi parado na passagem de Hankao e incitado a retornar junto dos seus. Perante a determinação em prosseguir rumo ao exílio o guarda convenceu Lao Tzu a deixar uma memória escrita dos seus princípios e convicções. Lao acedeu e retirou-se numa cabana durante três dias donde voltou com o seu testamento de 5000 caracteres, que podem ser lidos em meia-hora ou numa vida.

Há quem tenha lido Lao e há quem não o tenha feito, sendo que fazê-lo pode ser quase estéril em épocas muito particulares em que a sabedoria pouco vale porque é ultrapassada pela fractalidade incontinente e de incognoscível vectorialidade, ou seja, quando aquilo que aprendemos é refutado e remisturado até reemergir e retomar de novo a sua dominância.

No meio da “silly season” com acérrima disputa pelo melhor disparate e pelo melhor desnudar no cortejo pouco perturbado pelos ditos das crianças de que os reis vão nus e ainda por cima são feios, em que como se disse no artigo anterior qualquer tomatada ou similar apenas requer a ajuda do lenço de papel e mesmo esse vai ser cada vez menos requisitado porque feios, porcos e maus por definição não requerem lenço, agora que alguns escribas manifestam a sua surpresa,  não se  sabe verdadeiramente de quê, talvez de parecer que continuamos a gostar de todos, dos escribas repetitivos e dos actores horrorosos, em que a imparável asneira se apresenta diariamente, quando os barcos se afundam e os capitães são perfeitas baratas tontas, quando os líderes não sabem o que podem dispôr e quando a chefe do FMI verbaliza a sua inquietação porque países solventes se adquirem empréstimos a juros baixos transformam-se em insolventes se só conseguem empréstimos a juros altos – Sextus tira a vénia a pensamento económico tão inovador e tão radical negando que o preço de um produto incorpora toda a melhor informação do mercado,  e na língua de Racine e Colbert, vraiment les économistes disent n’importe quoi, Sextus deixa aqui um pequeno pedaço de Lao:

um líder é melhor quando o povo mal se apercebe de que ele existe

de um líder que pouco fala, quando o seu trabalho está feito o seu objectivo atingido

eles dirão, fomos nós que o fizemos

Noutro registro, estamos num tempo em que só aqueles que não sabem o que fazer ou que só ambicionam enganar falam a todo o tempo.

A quinta desfaz-se, a produção arruína-se, os devedores batem á porta enquanto que as cervejas vazias rolam pela cama agora reocupada – é verdade é Orwell

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