Praxis zen domina ou o desprestígio com o uso do poder irmanado com a sua resiliência

Sextus partilha com Kuhn o cepticismo sobre a bondade do resultado do trabalho dos gestores. Estes conseguiram um feito extraordinário ao transmitir de forma convincente para os seus espectadores que um bom gestor numa actividade x será também um bom gestor na actividade y.

Conseguiram ainda outro feito de igual monta, se o resultado obtido é bom deve-se à excelência do seu exercício, se o resultado é péssimo há que procurar causas aquém ou além do seu ministério – por exemplo, a mensagem subliminar do governador do BP, a situação dos bancos é mais frágil em resultado da crise da dívida soberana não interiorizando que essa crise deriva de má gestão dos soberanos e de quem lhes empresta ( a realçar a frontalidade de Ulrich em confessar o seu embaraço por ter adquirido dívida grega, mas nem todos somos feitos da mesma massa).

Os gestores uma vez chegados ao poder conseguem outro feito, a sua permanência prolongada apesar do desgaste potencialmente derivado da sua incompetência, não há verdadeiramente a verificação do princípio de Peter, trocam de cadeiras sempre colocadas na primeira linha à volta da mesa, uma forma de expressão do que eles baptizaram como resiliência. Esta é essencialmente filha do bom senso de se rodearem de iguais ou inferiores, estes últimos irão assegurar o brilho dos que mal atingem a suficiência.

Nesta semana um gestor entrou aparentemente nessa orbital, o ministro da saúde. Incumbido de uma tarefa difícil, cortar um orçamento que na realidade é bastante inferior aos dos congéneres europeus já que a percentagem relativa do PIB que lhe é dedicada é a mesma mas o bolo inicial é muito mais pequeno, abissalmente mais pequeno que na pátria dos gestores, os EUA que conseguem desbaratar quase 20% do PIB na saúde o que implica uma boa dose de resistência física dos americanos para lhe sobreviver, nesse ambiente difícil seria necessária bastante inteligência de gestão.

Infelizmente, ao fim de sete meses não se vislumbra um plano nem tal poderá ser traçado tamanha é a a ausência de informação que é obrigatório reunir para tal ser exequível.

Não sabe o universo dos clientes nem a sua distribuição, veja-se a admissão do excesso de mais de dois milhões de inscritos no SNS comparativamente com a população lusa o que não o impede de assegurar a cobertura da população com médicos de família, englobando as reais e as imaginárias.

Não sabe quantos funcionários tem mas aceita voltar atrás nas horas extraordinárias provocando problemas sérios nos CA dos hospitais a quem se demanda cortes.

Não é capaz de apresentar uma reforma dos quadros hospitalares que ainda datam de um delirante decreto do tempo da Dra. Beleza.

Não é capaz de rever o custeio dos actos médicos que encerra profundos desfasamentos da realidade e que engendra comportamentos desviantes nas opções dos hospitais sobre que patologias privilegiar.

Não é capaz de propôr uma lista de doenças a cobrir na totalidade pelo SNS e outra englobando as que não devem ser incluídas nesse guarda-chuva estatal e avança temerariamente para uma alteração coxa do desastre que é o SIGIC.

Mantém em funções a maior parte dos CA dos hospitais apesar dos méritos de cada um serem muito dissemelhantes.

Faz esboços de reformas que não implementa ou contribui para a confusão ao atribuir uma tutela bicéfala à transplantação.

Infelizmente o ministro da saúde não parece ser o único incapaz de pegar o touro. A Dra Teixeira da Cruz nem uma de cernelha esboça.

Obviamente, nada disto interessa à sociedade do palácio de cristal, mas há lá uma mezzanine que Sextus recomenda com a boa companhia dos gestores banqueiros, vê-se a chegada do banquete e a formação das mesas.

Bom fim de semana.

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