Sextus tira uma conclusão realmente boa e propõe uma ida à praia

O mês de Fevereiro ocupa uma posição central na silly season invernal. Desde há décadas inclui várias cerimónias de atribuições de prémios ligados ás artes representativas, com destaque para a música e para o teatro e  cinema. Cerimónias interessantes, montras da humanidade.

É verdade que a excessiva mediatização desses eventos traz consigo sombras preocupantes, mas verdadeiramente já velhas, só que com outras roupagens. Na Grécia antiga, o vencedor dos jogos abilitava-se a roupa e pão gratuitos e gozava de protecção legal acima dos seus pares, enfim tendia para o semi-deus.

No ocidente deste século, a morte de uma cantora pode constituir notícia de abertura do noticiário principal do canal televisivo dominante de um país estrangeiro á falecida e a notícia açambarcar mais de dez minutos de emissão.

Por sua vez, os prémios são concedidos em auditórios gigantescos repletos de assistentes consensuais e entusiastas, só comparáveis aos concidadãos do grande chefe de Pyongyang. Toda a gente sabe o seu papel, não é preciso aparecer alguém a transmitir a ordem do grande líder para aplaudir.

Na política já se trilhou esse caminho há muito, apenas a exibição dessa escolha se tornou mais global e aproveita a consensualidade demonstrada nas artes, onde é surpreendente mas não embaraçante para tornar a sua que por natureza seria menos surpreendente, por se ter tornado igual, mas mais incomodativa. Mas enfim, já Spengler dizia, todo o ocidente é socialista.

Na Lusitãnea-Cacânea, mais tardiamente que noutros sítios por mais periférica e mais permissiva a tolerar a dissidência sobre a irrelevância, ou pelo menos diferentes vivências oníricas sobre o passado, o presente ou o futuro concluiu essa involução onde a pura repetição, de preferência imersa na confusão múltipla, ultrapassou a avaliação serena, que não apática e essencialmente interessada no contraditório, ou na falsificação poperiana.

Na cacofonia normal do cirrótico a quem se proibiu o acesso ao vinho, que continua a protestar um passado resolvido de exagero e uma promessa em consumos moderados de um tónel esgotado, torna-se difícil lembrar algumas coisas importantes.

Algumas delas, recorda Sextus, eram as famosas gorduras. Oito meses, em breve, se passaram desde que os novos líderes entraram em funções e apesar das avaliações amigas do grupinho dos médicos à periferia, a parte mais importante continua por fazer.

Aonde está um plano para a renegociação das PPP, das garantias tarifárias sobre a electricidade (como se percebeu ontem no Prós e Contras), sobre a reforma do número de concelhos (as freguesias são o milho dos pardais), sobre a paralisante Justiça, sobre os incontáveis institutos públicos, sobre as empresas municipais, sobre os projectos faraónicos e redundantes rodoviários – exemplo a transformação da ligação Vila Real a Bragança em AE, com inúmeros viadutos, já com uma saída cem quilómetros ao lado, por Chaves e esta sim articulda com AE espanhola, o que não acontecerá com a saída por Quintanilha – sobre a rede de institutos superiores e universidades redundantes e de atrofiante qualidade, etc…

Talvez que Sextus esteja errado e afinal as tais gorduras já tenham sido removidas, há quem afirme, aparentemente convicto, que não é possível descer abaixo de 40% de impostos globais para manter uma sociedade parecida, enquanto que a história não nos desvela a que se vai seguir, o que não corresponde à verdade basta ver os números da Austrália, do Canadá para o perceber.

Mas seguindo o espírito do tempo, Sextus conclui que estamos todos esbeltíssimos, untemos os nossos magníficos corpos com óleo, bebamos mel com vinho a regar magníficas hecatombes e corramos para a praia, logo á noite que Penélope desfaça o que vem entretecendo.

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