O que resta de autonomia a um país desvastado irá garantir a sua falência ou de Methuen até aqui só passaram trezentos anos

Já foi iniciado o caminho que nos vai levar ao inescapável ponto intermediário de reconhecermos que vamos precisar de novo resgaste porque a incapacidade de irmos aos mercados será ruidosamente proclamada dentro de doze meses. Quem pensasse outra coisa é porque padece de uma deficiência muito profunda e ela também não passível de resgaste.

É verdade que houve alguns erros troikianos de dificil entendimento, é sempre complexo diferenciar a incompetência da estratégia dos pequenos passos. Pensar que as empresas estatais de transportes iam continuar a conseguir financiamento nos mercados implicaria uma maior confiança dos mesmos na capacidade lusa em garantir o colete de salvação quando fosse declarado o naufrágio, algo que está longe de assegurado, veja-se a proposta de redução da dívida grega.

Chegados ao período de reconhecimento deste falhanço anunciado outros rapidamente tentarão calvagar a onda inicial de que a estratégia da austeridade está errada, incapazes de reconhecer que o problema principal de Portugal é o consumo excessivo há décadas, tanto do sector público como do privado. O que é importante é a dívida total, já aqui se passou esta mensagem várias vezes, com a particularidade interessante e que revela a inteligência do animal mercado, que a dívida privada excessiva vai tornar-se pública, pelo menos na sua maior parte, tal como aconteceu já em Portugal, como aconteceu estrondosamente na Irlanda e como irá acontecer na Espanha e aqui manifestamente o touro pode mesmo torcer o rabo.

Alguns escribas encomendados continuam a empurrar para o estado todo o problema mas tal não passa de uma enorme mistificação – aliás a ausência de uma mudança global de directores bancários manifesta uma preocupante incapacidade de renovação, melhor de uma destruição criativa como diria Schumpeter. os incompetentes não foram afastados, vão rodando.

Realmente não se pode dizer que a Europa tem uma estratégia errada, a Europa não tem sequer estratégia porque está a aplicar a mesma medida a países com problemas terrivelmente diferentes, em Portugal são as duas dívidas, mais classicamente as três, diferenciando a dívida dos privados da dívida das empresas, em Espanha e na Irlanda é essencialmente a dívida dos privados e na Grécia e na Itália  é a dívida pública. Todos entenderão que tais diferenças deveriam garantir diferentes estratégias, o porque tal não está a ocorrer será muito fácil entender.

A historinha que a fada da confiança iria brilhar no escuro do quarto arrefecido com a austeridade é mais uma vez ou ignorância pura e dura (e por muito que Sextus duvide de tal há que reconhecer que já tivemos que ler um professor de história clamando pelo seu fim, testemunho imorredoiro que a estupidez humana não tem limites) ou manipulação muito competente. 

Obviamente que na dificílima situação portuguesa só restam duas evoluções mais claras do irresponsável caminho que escolhemos (ver bons artigos na Economia do expresso de JVP e LM), uma a bancarrota clássica, outra o protectorado algo similar ao que ocorreu durante algumas décadas após o tratado de Methuen de 1703, neste caso a tutela económica e financeira completa pelos germânicos como forma de garantir que um empréstimo de longa duração que nos salve seja utilizado para o que é necessário e não para o que foi feito entre 1985 e 2011 – os germânicos desconfiam e Sextus percebe bem porquê..

Há que reflectir que talvez esta segunda hipótese não seja compaginável com a réstia de independência que nos resta. A margem de liberdade que preservámos garante-nos a escolha da bancarrota, é a vida diria um dos principais responsáveis por isto tudo.

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