Constâncio vem a Lisboa explicar a Krugman

Krugman está hoje em Lisboa e talvez consiga perceber ainda melhor a situação portuguesa e até europeia. Já foi dizendo que não há alternativa à austeridade a não ser a saída do euro e que será preciso uma deflação dos salários entre 20 a 30%, algo que o saudoso Hernani já afirmara. Infelizmente nem isto chega., coisa que também os médicos à periferia da troika não oerceberam ou então actuaram como tal.

Constâncio pode explicar uma coisa importante: com a criação do euro, os periféricos pensaram que não voltaria a haver dívidas nacionais, apenas dívidas europeias. Não foram só os periféricos, alguns centrais também o pensaram e exportaram capital sem jeito nem tino para a periferia, outros bastante espertos perceberam que as coisas poderiam não ser assim, altura em que o risco moral seria enviado para férias nas ilhas gregas e os contribuintes europeus em geral e dos periféricos em particular apareceriam atempadamente para azular outra vez a escrita, enfim algo aceitável, se todos beneficiaram durante algum tempo só poucos o poderão gozar durante um período maior, isto aprende-se de forma colorida e sonora em qualquer casino.

Krugman já percebeu que o decisivo é a balança de pagamentos, de forma muito simplista seria mesmo só preciso dizer a balança que não pode ficar desequilibrada ao pesar os contentores que vêm do leste comparativamente com os que para lá vão. Isso foi outro erro do nosso querido Constãncio e de todos os seus irmãos. Na verdade a balança de pagamentos da UE está equilibrada, só que à custa de alguns exportadores, poucos, que fazem contra-peso aos grandes importadores. 

A situação é pois muito mais complexa do que pretende a narrativa dominante e Sextus acha-a ainda mais do que Krugman. Qualquer economista terá tendência a sobrevalorizar a sua área de actividade mas o mundo não se esgota em Wall Street ou na City ou Frankfurt. Continuam a existir Whitehall, o Pentágono e a Praça do Povo. Sendo cada vez mais difícil prever o futuro nas esquinas da história, olhe-se para o que aconteceu à Espanha para se vislumbrar geopolítica preferencialmente. Os nossos vizinhos tinham em 2009 uma situação de contas nacionais menos desequilibradas que todos os outros estados ocidentais com a excepção dos escandinavos, dos holandeses, dos germânicos e dos australianos e no entanto logo foram incluídos no pacote dos piigs, gipsi, etc.

O problema português, infelizmente ao contrário do que pensa Krugman, é uma paleta de todas as cores do beco em que se deixou encurralar o ocidente, é uma mistura de salários altos, estado social excessivo, impostos altos, socialismo financeiro, incompetência de gestão muito alargada e demissão da justiça a alimentar uma corrupção entranhada e ramificada.

Voltando a Constâncio, iludiram-nos e quisemos iludirmo-nos de que já eramos germânicos, não o somos e não o seremos.

Num momento de desencontros e de recriminações os nacionalismos voltarão de forma algo abrupta. A Lusitãnea necessita urgentemente de nacionalistas esclarecidos para tentar escapar ao dilema entre a pobreza triste e submissa ou a patuleia esfarrapada.

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