Há quanto tempo se sabe que quem decidiu o desatre não está capacitado para o corrigir ou um mal pode diluir-se com o tempo ou ser afrontado o que exige mudança muito radical

Esta semana tem sido muito rica em eventos e declarações, destacam-se estes, na opinião de Sextus.

Um, Mario Monti declarou que os mercados não estão a valorizar acertadamente o desempenho de Portugal -Sextus já comentou este tipo de análises, é extraordinário como se consegue virar o bico ao prego, agora é que os mercados estão a julgar bem, ou quais são as possibilidades deste país trazer o montante da sua dívida para níveis razoáveis, que não os malfadados 60% do PIB? Há que lembrar a alguém mais distraído que os juros da dívida portuguesa aproximam~se já de 10 mil milhões de euros, ou seja 6% do PIB e alguém imaginar crescimento do PIB dessa ordem na próxima década com desemprego sempre acima dos 10-12 % passa a ser do domínio do inexplicável. 

Dois, Krugman afirmou que Portugal é um caso difuso e difícil mas que deve baixar os salários entre 20 a 30% – aqui se prova que Krugman não dedica tempo a Portugal, obviamente que somos um caso difuso de má governação há vinte anos, corrupção importante e disseminada e deficiente qualidade dos gestores de topo e intermédios que vão rolando de posto entre posto e dos trabalhadores.

Três, Cavaco pensa não ser possível adicionar mais austeridade – Gaspar tinha respondido de forma preemptiva ao assinalar que esta austeridade se torna necessária para evitar uma austeridade descontrolada. Sextus só tem pena que Gaspar não junte à sua clareza mais força, a forma como está a encarar as renegociações das PPP é terrivelmente decepcionante, infelizmente completamente em sintonia com o que mais abaixo se afirmará.

Quatro, o novo representante do FMI também acredita que só austeridade não funciona – o problema não será bem isso, é fundamental gastar apenas o que se tem, mas se se o fizer de forma tola e corrupta certamente que nenhum futuro ficará garantido.

Cinco, o desemprego atingiu um valor já perto dos 15% – finalmente em sintonia com os espanhóis, diferença que se prolongou nas últimas décadas do século XX que muito interrogou muitos, entre os quais Sextus, certamente com causas várias, uma delas e não das menores pela menor complacência dos vizinhos com o subemprego e por uma diferente organização demográfica que em Portugal corre ao par com significativas bolsas de subsistência, coisa que se intui perfeitamente quando se percorre o campo espanhol, quase vazio e o campo português, sempre fortemente ocupado na faixa até cinquenta quilómetros do mar. 

Seis, o BCE procedeu a novo mega empréstimo, ao que parece dois bancos lusos terão ido buscar 12 mil milhões de euros – há que lembrar donde vem o dinheiro do BCE, dos contribuintes europeus, 20% dos alemães, 50% dos restantes dezasseis do eurogrupo e 30% dos dez outros parceiros da CE.

Aqui chega-se a uma encruzilhada que explica parte do problema. Como diria Maquiavel para um bom governo das cidades torna-se exegível uma satisfação equilibrada dos interesses dos nobres e do povo, aproveitando-se o natural conflito entre eles em benefício do governo. Quando a governância fica capturada por apenas um deles acaba por levar a um desequilíbrio que só pode ser resolvido ou pela diluição no tempo ou pela substituição clara de quem governa.

Neste momento, no mundo ocidental tenta-se ganhar tempo até porque não se quer a substituição de quem governa por algo de novo que não se idealiza claramente mas há que apreender que a  diluição no tempo requer muito senso e arte de governar.

Em Portugal, o caminho é igual ao dos seus parceiros, o governo continuará dominado pelos interesses financeiros que buscam corrigir as suas más apostas com o dinheiro dos contribuintes e rendas colossais – o spread entre o juros do BCE e o praticado pelos bancos é justificado pela teoria económica da intervenção do estado, interessante paradoxo só aparente ao percebermos que os agentes do BCE só apresentam uma fina capa de liberalismo mas não passam de socialistas finaceiros, no fundo negacionistas da propriedade privada e do risco moral (Spengler como acertaste ao clamar em 1920 que todo o ocidente era socialista) o que explica o pouco interesse em lidar com as rendas das PPP e de quasi monopólios vários.

Mas se a velocidade com que se estão a finaciar os bancos continuar neste ritmo, o tempo que está a ser comprado não vai chegar para emparelhar um roubo transfigurado em impostos com a inerente diminuição da capacidade para as compras que só elas poderão ainda prolongar este sistema. Se não se conseguir este equilíbrio no tempo a alternativa mais comum na história é a substituição mais ou menos violenta de quem governa.

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