A crise europeia e a escolha de Passos ou enquanto uns sonham com Descartes e Goethe outros suspiram por Shakespeare e Drake

As inúmeras cimeiras europeias vêm permitindo melhor conhecimento dos representantes das diferentes nações europeias que apresentam dissemelhanças notórias em percepcionar e lidar os problemas.

Sextus já aqui escreveu que a crise ocidental é realmente multifacetada e não deve ser lida de forma distraída. De qualquer modo, um dos principais dilemas ou trabalhos que enfrentam os líderes nas cimeiras é conseguir transmitir a mensagem que algo se está a fazer para minorar a magnitude do desemprego.

Quando Brezinsky cunhou o termo tittytainement há dezassete anos, pode ter acertado e talvez que a sua sugestão já esteja a ser prosseguida convictamente pelos governos.

Por exemplo, a incapacidade de leitura tem vindo a agravar, passando de 21 para 24% entre os jovens europeus com quinze anos entre 2000 e 2006. Talvez de acordo com que seria antecipável, os PIIGS apresentam ainda valores mais elevados, acima dos 25% enquantos que dinamarqueses, holandeses e polacos conseguem descer para valores à volta de 15%.

Esta incapacidade de compreender o que se lê tem ido ao par com uma gigantesca manipulação. Agora que em Portugal se fala em mortalidade excessiva (Sextus ainda não pode qualquer opinião sobre isso), será bom lembrarmo-nos da encenação mundial feita à volta da gripe H1N1 e dos gastos incorridos na compra de anti-virais e vacinas – a talho de foice, o anti-viral usado, disputado angustiadamente pelos governos para o colocar em armazém em quantidades apreciáveis, cinco anos depois e submetido a forte análise, consegue comprovar que dá náuseas e vómitos mas a sua eficácia como anti-H1N1 não é possível de ser demonstrada (a táctica do medo será cada vez mais usada pelos governos e dependências, ajudados por leis e normas incompreensíveis por uma extensão e complexidade que casam facilmente com contradições internas, sempre debaixo do guarda-chuva da segurança).

Voltando ás cimeira europeias, guiadas pelo mito do crescimento a conjugar com o emprego, mito este que será difícil arrastar por muito tempo, logo será muito perigososa para os governantes esta insistência tola – uma das propostas desta reunião foi recorrer novamente ao financiamento de estágios, ideia certamente tida com o cansaço da reunião e sob uma concentração exagerada de dióxido carbono e outros gases embotantes.

O que vai acontecer não será certamente uma coordenação dos vários países para esse objectivo, mas sim um extremar de uma feroz competição pela localização das principais fábricas, ajudando a enterrar de vez o mito anglo-saxónico dos anos oitenta sobre os serviços como garante da supremacia ocidental – Sextus reconhece que para os mais novos deve ser estranho deparar com esta linha de raciocínio, que no entanto era dominante até há cerca de dois-três anos.

Pelo contrário, os jovens deste início de século estão a descobrir que os empregos dos serviços, quanho os houver serão renumerados a setecentos euros, depois da ajustada redução salarial dos fabulosos mileuristas, soldo que não é compaginável com a expansão da procura que sustentará a recuperação económica.

Durante este perigoso período que teremos pela frente, talvez com uma a duas gerações de duração, sofrendo o peso de algumas variáveis determinantes como o acesso aos hidrocarbonetos e a forma como a China lidar com o fim do seu processo de crescimento rápido – no caso da Índia podemos sempre confiar na reincarnação budista e nos cais de Varanasi, ao passo que os vizinhos exibem ainda postura predominantemente confuciana que proclama não querer preocupar-se com os assuntos do céu já que ainda não conseguiu lidar com os terrenos – os europeus, enfim com a devida salvaguarda ao reemergente nacionalismo, poderão dividir-se entre os que têm o mar no sangue e sonham com o oportunismo de Drake cultivado pelo espírito do homem do Globe enquanto que outros mais terrenos, os do continente, aspiram aos silogismos cartesianos embelezados pela profundidade e arranjo do génio de Frankfurt.

Como se pode ver pelas reacções caseiras, Passos enganou-se, não nas ideias, mas na representação. Mas mais decisivo para Passos é perceber que Descartes e Goethe são muito rigorosos e como diria Maquiavel, no meio do seu cumprimento não está a virtude.

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