Quando se perde a independência e não sabemos, são os outros que nos dizem como fazer

Os tempos de crise são habitualmente sinalizados por mensagens contraditórias e por outras que só muito mais tarde conseguem ser lidas e entendidas. O maior problema consiste na apreensão da crise, dificultada quer pela ocultação / manipulação dos que ocupam a boca de cena quer pela recusa em reconhecer o fim de um caminho há longo tempo aberto e percorrido.

Nalguns jornais e blogs anglo-saxónicos nota-se a percepção de muitos estarem a viver estes tempos incertos, talvez históricos, com a consciência de um momento que já beneficia de autonomia porque o livre arbítrio já foi efectuado antes – há alguma confusão quando se discute determinismos, muitas vezes esquece-se que as derivadas das escolhas que gozaram de razoável liberdade levam tempo a emergir, tal como um grande barco que para mudar de direcção precisa de milhas ou tal como um comboio precisa de centenas de metros para parar, não é que os pilotos já não tenham liberdade, apenas estão a sofrer a sua liberdade anterior.

Aqui na Lusitãnea-Cacânea o debate é diferente e espelha a situação de servidão centenária que até dificulta a cacanização mais completa noutras partes do ocidente.

Aqui, a combinação da pobreza com a corrupção, a ineficácia / incompetência e o cumprimento discricionário da lei limitam o trajecto involutivo. A relativa pobreza nacional forçou a uma captura sem rebuço dos recursos desviados dos contribuintes, uma larga e heterogénea classe média que assiste atónita à sua eliminação. Enquanto que se discute o cadastro de casas de luxo para guiar a obtenção de mais receitas de impostos (aguarda-se a imaginação das mentes que vão definir o que são casas de luxo), já se esqueceram as gorduras e demais lipídeos que desfiguravam o corpo nacional. Apenas há a necessidade de alimentar os mais irrequietos grupos de comensais e parasitas que já teriam acertado as contas das refeições para os próximos anos.

Como é triste e revelador haver besonha de um estranho que nos recorde que se torna necessário proceder a essas renegociações, que o financiamento do tecido privado com capacidade exportadora de média dimensão está por fazer por bancos há muito acostumados a empréstimos sem risco e de grande volume que têm como modelo o grande Goldman que lucra á custa dos clientes mais do que com os clientes.

A nação dos servos tudo tolera, até se divide sobre a bondade de prefácios de roteiros que levaram á perda da independência ao mesmo tempo que se fundamenta a não intervenção pela manutenção regular das instituições, curiosa e suicidária classificação de regularidade. É verdade que havia o risco das massas não perceberem o desatino que viviam, ficará para sempre por saber se era só isso, ou seja, alguém que chegou inadvertidamente a chefe sem tolerar o risco, ou se pior, foi o tolhimento pela multidão de convivas que ainda encontravam os pratos quase cheios.

Enfim, é uma tautologia inssossa, no tempo de sextus as massas projectavam os seus líderes, no ocidente moderno as elites também, a quinta merecia bem o suíno napoleão que, conforme escreveu Orwell, morreu de velhice.

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