A economia muito mal servida por incompetentes cozinheiros que não decidem o mais importante

A narrativa dos economistas tornou-se ainda mais caótica do que costuma no passado menos recente (a acreditar nos jornais, é verdade um dos grandes riscos da humanidade através dos tempos), um dos últimos exemplos foi a imaginativa afirmação do Sr. Gros sobre a necessidade de em reduzir o seu consumo entre 10 a 15% e os seus salários à volta de 20%. Portanto, alguém que apresenta uma dívida total superior a 350% do seu PIB, dos quais mais de 200% a imputar ao sector empresarial e particular, pode reduzir o seu consumo numa magnitude menor que o seu salário quando o consumo interno é responsável por cerca de 65% da actividade económica – enfim voltamos ao mundo onde a vontade pretende incluir a realidade. Tal só seria possível com um aumento da taxa de exportação para além do razoável. O segredo está obviamente noutro sítio: maior produtividade á custa de melhor gestão, melhor empregado (cursos profissionais como os alemães sempre perceberam), justiça que em Portugal assume um factor desestabilizador colossal e diminuição consistente dos impostos (embora muito gradual, dado os grandes encargos assumidos no passado) com penalização forte das actividades inportadoras e obrigação de aproximação ao padrão internacional (que é verdade não garante grande coisa mas é o que há, insuficiente é certo mas para já sem alternativa) do desempenho das actividades exercidas em regime de quase monopólio – infelizmente um programa impossível na Lusitãnea, basta ver o registo dos últimos cem anos mas parcialmente cumprível.

A situação portuguesa, a pior de todas na europa com a duvidosa excepção grega – há que recear que daqui a dez anos a Grécia esteja melhor que nós – tem no entanto vários acompanhantes com raízes em erros muitos deles comuns.

Não se trata de Sextus ter decidido embirrar hoje com um grupo de profissionais mas a desastrada peformance dos economistas tem acarretado pesadíssimas consequências para as nações – outra pérola recente, os prejuízos da Itália num acordo com um banco estrangeiro ascendem a metade dos cortes salariais realizados na função pública – conjugados com a captura do estado, aprisionamento sustentado numa matriz jurídica convenientemente urdida por negociadores que não defendem o seu cliente no muito aqui referenciado ambiente de palácio de cristal vai fermentando convenientemente numa massa de resultado pouco previsível.

Segundo a lenda a feitura da Sachertorte deveu-se à vontade dos austríacos em passar uma imagem de requinte e bom gosto em substituição do rótulo de agricultores e cavaleiros algo rudes e simples. A preparação terá incluído um pousio de cerca de uma semana para a massa do bolo com os ingredientes mais importantes para o paladar final. 

A decisão sobre a Sachertorte inclui pelo menos duas leituras  uma, seria muito útil voltar a recuperar o espírito do jovem pasteleiro austríaco. a massa do bolo a inventar necessita de tempo e direcção (algo que a menina Ângela já proclamou) e mesmo que saibamos não poder conseguir todo o efeito, temos que agir como se fosse possível tal. A segunda, foi a vontade de quem fez a encomenda e que pensava em geopolítica, algo que foi convenientemente arredado das narrativa por perigosa e inconfessável.

Quem pensa que tudo se resume ao desequilíbrio das finanças estatais vai ter grandes surpresas no futuro próximo e descobrirá que se os banqueiros podem aprisionar os príncipes isto é um jogo arriscado em que tanto uns podem fazer substituir os outros como estes podem obrigar os primeiros a reescrever á pressa os balanços..

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