Reflectir com Espanha e abandonar a manada ou um caleidoscópio da crise europeia

A Espanha tornou-se há já alguns anos um caso muito interessante desde que consigamos saír da habitual repeticão acéfala que nos ensurdece e entontece todos os dias.

Primeiro ponto, que é sabido e lembrado mas que curiosamente mesmo depois de referido num escrito é varrido do argumentário a ser desenvolvido, a Espanha tem uma dívida pública razoável, ainda inferior a 90% do PIB, mais ou menos da grandeza da Alemanha, embora com um défice orçamental maior.

Segundo ponto, o descuido dos sucessivos governos espanhóis, principalmente os seis anos do sr. Zapatero tornaram necessário o recurso a empréstimos bancários vultuosos constantes para rolar dívida, sendo que o mais grave foi a dependência externa, compare-se com a facilidade com que o Japão tem passado por esta fase com dívida pública igual ao triplo do seu PIB mas em mão nacionais na quase totalidade, 95% – Sextus duvida da utilidade – sensatez dos governos terem a permissão de contrair dívidas externas., isso seria muito mais determinante que a limitação do défice a 0.5%. (enfim, desculpa-se enquanto que não acordamos do sonambulismo europeu)

Terceiro, os bancos espanhõis governados de forma insana seguindo tal qual o cansativo “animal spirits”, construiram uma monumental bolha imobiliária com cidades satélites fantasmas em todo o lado, alguns crêem que essa bolha andará à volta de 100 mil milhões de euros. Naturalmente, depois do descerebrado banquete (ou festa, para usar um termo luso) aparece a conta.

Quarto, os bancos espanhóis, tal como os lusos, acabaram por chegar a um estadio de completa dependência dos bancos estrangeiros.

Quinto, os sucessivos governos espanhóis não conseguiram travar a loucura das duplicações das governações autonómicas que geraram milhares de lugares públicos dispendiosos e de eficácia mínima.

Sexto, a economia espanhola não conseguiu criar uma oferta de emprego que levasse ao controlo das gigantescas taxas de desemprego, mesmo quando a economia crescia sustentada na bolha imobiliária e no turismo de europeus do norte que ganhavam  e dispendiam mais do que produziam e ganhavam (principalmente britânicos viciados em cartões de crédito). Claro que este é o decisivo, não é possível o emparelhamento de uma elevada taxa de desemprego com a sustentabilidade de uma sociedade – as guerras e as grandes edificações, templos, catedrais e palácios foram o recurso de então, a acelerada caducidade dos produtos e das tendências seguida da normalização dos produtos e dos processos foram o escape dos tempos pós-guerra.

O que vai cada vez mais pesar na evolução a curto e médio prazos será a assimetria entre as várias nações /estados do seu grau de sustentabilidade, isto mesmo fazendo a inevitável redução do chamado estado social, necessária mas insuficiente, que aliás terá como efeito indesejável o aumento do desemprego.

Uma globalização com este nível de desemprego terminará em fracturas cada vez mais fundas ou numa monumental “animal farm”. Claro que fracturas profundas criando quase mundos incomunicáveis é o que vem ocorrendo desde há cerca de trezentos anos, só que agora a inclinação do terreno desfavorece a Europa. Alguns estados desaparecerão fruto da sua incapacidade em recrear ambientes de desenvolvimento e coesão observados nos vizinhos / rivais, outros dotados de massa crítica oscilarão entre o reinstalar de fronteiras e a reificação de medidas restritivas às trocas, quer de forma explícita quer da forma que muitos já o vão fazendo, casos do proteccionismo observado em estados de média – grande dimensão, USA, Brasil e muitos outros para não esquecer a Espanha quando confrontada com Portugal. Esta evolução isolacionista é o que de melhor pode ocorrer, o contraponto da aglomeração de estados gigantescos não poderá fugir muito ao que Orwell ficciona em “1984”.

O melhor escape às duas versões orwellianas pode provavelmente estar restrito ao retrocesso a um primitivismo local  até ao emergir de nova evolução ditada por eventos imprevisíveis mas sempre ligados à gestão da raridade / inovação científica.

Em tempos históricos torna-se inevitável a emergência do espírito de manada, e tal como na natureza, se os bois da frente forem fracotes e desorientadas as perdas podem ser dramáticas.

A Lusitãnea, sem dinheiro para chegar á Cacânea, vai perceber que não pode contar com ninguém, talvez tenha chegado ao seu fim, algo já posto em discussão anteriormente e por mais de uma vez.

Perdemos o Brasil, perdemos África, perdemos a Europa, perdemo-nos…

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