A versus B não é igual a B versus A ou o que devem aprender os leões na escola

Durante a última semana a progressiva viragem nalguns dos altos lugares europeus sobre a estratégia para lidar com a crise tem-se tornado mais perceptível. Depois dos meses a perorar sem grande inteligência sobre a crise da dívida soberana o discurso passou a centrar-se  na mais fundamental crise do emprego, que tem vergastado de forma mais notória quem procura a primeira ocupação, com valores a atingir os 50% na Espanha, 35% na irlanda e 16% nos USA, se restringirmos até aos 25 anos de idade. Acima da pobreza mesmo em graus muito dramáticos, a inocupação consegue rasgar mais o tecido social.

Estes altíssimos valores de desemprego não nasceram com as crises do subprime ou da dívida soberana, já no fim da última década do passado século se vislumbrava que a recuperação da crise das “dot.com” se fazia sem o restabelecimento dos valores de emprego anteriores.

Na verdade, o artificial alto nível de emprego brotava da temporáraia mas real abundância de que gozou o hemisfério ocidental. Depois, a soma de contas desequilibradas dos estados que, consequentemente, mais carregavam de impostos a sociedade, a corrupção, sempre existente mas mais destrutiva agora por incidir sobre maior bolo do que nos passados recente ou remoto, a ineficiência dos investimentos, esperada ao lembrarmos as curvas dos custos e eficiências marginais começou a esvaziar o pote de ouro ocidental. Com menos abundância passou a ser mais difícil a existência de empregos de serviços dos quais com facilidade se pode dispensar.

A presente fase da globalização, que  foi lida por alguns à luz do optimismo perigoso de Adam Smith finalmente desvelou-se e teve que consentir que mais do que à matemática, a economia das nações obedece à física – se dois vasos muito desiguais no seu conteúdo entram em comunicação, tudo o que puder deslocar-se fá-lo-á donde há mais para onde há menos, neste caso quer os salários dos países ricos têm que descer até subir algo nos países pobres, assim como o oceano de capital existente deslocar-se-á para zonas de maior rentabilidade, ou seja, aquelas que ainda se encontarm longe do ponto do lucro marginal.

De facto é tudo mais simples do que alguns querem fazer vender. Sextus tem repetido monotonamente que a crença que as marcas são tudo é uma falsa crença, para os grandes volumes a marca é irrelevante, para os pequenos é que é determinante. A crença na inovação é outro mito perigoso, o decisivo está noutras vantagens competitivas.

Depois, as consequências da perda sucessiva do salário na fatia do PIB, fenómeno observado nos USA desde os anos 60 levou a que o crédito fosse a alternativa para satisfazer expectativas dos potenciais consumidores e dos vendedores.

Duas mentiras foram e vêm sido propaladas: uma proveniente das esquerdas reclamando mais investimento para a criação de emprego, sem se preocupar com a maré do oceano do capital criado na Ásia e nos países produtores de petróleo que não segue nem de longe as vontades dos governos ocidentais – e cada vez menos, o nacionalismo já existente na China será acompanhado pelo emergente na Índia e nalguns países produtores de petróleo com excepção dos árabes – outra vinda da direita reclamando maior diminuição salarial e menores regalias sociais para possibilitar menores taxas sobre os ricos que assim poderiam criar mais emprego – dois belos exemplos de “wishful thinking” que não resistem a uma análise mesmo inicial.

A terceira alternativa, vinda dos dos dois lados reclama a reinstauração das fronteiras, provavelmente impossível, a história não passa de um recuar de fronteiras, de um abrir de portas e de um derrubar de muralhas. Mas a história também inclui o reerguer de fronteiras e o cerrar de portas.

O poder só pode ser exercido em tensão, quando esta desaparece surge um período mais ou menos alongado de crise e degenerescência até algo de novo emergir. Nos últimos trezentos anos, mais ainda até, as raposas têm governado e querem sempre mais, seja qual for o grau de sustentabilidade do galinheiro. Na fase final da investida e quando já pouco há, as raposas podem ser terrivelmente destrutivas. Esta inexistente mudança dos vectores dominantes criou uma situação de fim de linha.

Uma raposa versus um leão não é igual a um leão versus uma raposa, a posição inicial conta e também desgasta.

Quando voltarem, os leões deverão ter aprendido alguma coisa na escola de forma a prevenir a que comam tudo, mesmo para além da maioria das raposas.

Nessas alturas, cada galinheiro vale-se a si próprio e sempre que precisar da ajuda de outro, disso se arrependerá.

O irrelevante galinheiro luso já aprendeu isso, infelizmente a posição em que está com a porta completamente escancarada não permite outras leituras que não pedidos de ajuda, em vez de troca de ovos.

O drama ainda maior parece que já nem escola de leões lusos há, dispersaram-se, como tristemente o fazem há meio milénio.

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