O futuro da Europa e da Lusitânea pode ser facilmente lido na Via Láctea ou quem pode mudar nunca o quer, quem quer mudar não o sabe fazer

Esta semana encerra com uma entrevista do presidente do banco do Reino Unido e antecede a próxima que se inicia com duas eleições na Europa das formas generosas.

Estes três eventos delimitam três momentos de potencial mudança, se tal fosse já possível no palácio de cristal; não o é mas um céptico sabe que tanto vale a pena analisar as possibilidades como as impossibilidades, ambas feridas da suspensão do julgamento mas não exclusivas da especulação, algo a que Sextus cede, sem grande gosto.

O presidente do citado banco quer reescrever a história e proclama a sua inocência sobre a crise financeira que atingiu a sua Albion – provavelmente um bom compincha para serões enevoados e sonolentos numa agradável sala a exalar os nobre odores do couro e de madeiras exóticas. Afirmada a sua inimputabilidade avança contra os seus colegas dos bancos de investimentos que terão cometidos grosseiríssimos erros de gestão. Termina a reclamar pela reforma dessas instituições, algo que está a ser reflectido serenamente até 2015 para eventualmente ser implementado por volta de 2018, segundo o roteiro do parlamento inglês. Se alguém tiver lido também o livro “O mundo é curvo” percebe que é melhor olhar para a via láctea nestas noites chuvosas nortenhas para adivinhar o futuro, não verá ambos.

No domingo, os helénicos vão às urnas depois de terem sido despachados para a urna dos países insolventes, logo sem controlo do seu destino. Honra seja feita a dito povo que, pelo menos, tem evitado o despudor dos comícios pré-eleitorais, com a excepção dos alternativos sem alternativa da esquerda radical (talvez que o mago Venizelos arranje modo de exercer esse costume um pouco às escondidas e de surpresa, hoje à tarde). De qualquer modo, a Grécia que podia realmente dar o pontapé de saída para o desmoronar mais rápido da europa se escolhesse primeiro a ingovernabilidade à espera das fardas, vai melancolicamente entregar uma pequena chave dos fundos do galinheiro às raposas que rapinaram a maior parte e que estão agora como assessores da salvífica troika. Enfim, ainda há deuses no Olimpo a fazer o que sempre souberam fazer melhor e nenhum falta, Juno, Marte, Neptuno e Vulcano têm sido mais assíduos, pobre Zeus (é verdade, Clio dorme).

Os gauleses, sempre remetidos à sua invencível aldeia vão resignadamente votar em Nicolas, mesmo detestando a figura de impedido junto da menina Ângela. A sempre alternativa do ex-cônjuge da Sra Royal está sempre assegurada por não constituir alternativa nenhuma, este é um dos casos em que A vs B é igual a B vs A. A franja da população que votou na menina Marie está ainda muito confusa e realmente ainda não sabe o que quer, não tem poder assertivo suficiente para levar à ruptura.

São os tempos que vivemos e que se repetem sempre no fim dos ciclos: quem pode mudar não quer porque ainda não precisa, ainda se pode continuar por mais algum tempo a fazer o de sempre, quem precisa de mudar, não o sabe fazer porque não pode e não percebe.

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