Tempos difíceis recomendam boca calada ou divagações ambíguas ou os políticos actuais são bastante fracos

Sextus admite que se enganou ao prever a vitória do pequeno Nicolas mas enfim, le numéro gagnant c’est la même chose. Falar em mais despesa pública e avançar com a contratação de mais 60 mil professores como medida emblemática para combate ao desemprego é fraco, é muito fraco.

Na Grécia aconteceu algo mais interessante embora possa ser difícil de entender (mas claramente antevisto) como é que um terço dos gregos continuou a votar nos dois partidos que os governaram nos últimos vinte anos, sem dúvida uma mistura de negacionistas, clientela desesperada e idiotas úteis, vendo bem os números até poderão pecar por defeito. Vai agora seguir-se algo de penoso e arrastado, com a subida de mais uns degrauzitos na insustentabilidade económica até que talvez consigam ter a sorte de vir alguém governar a Grécia e reintegrá-la no seu ambiente natural e retirá-la desta desgraçada invenção da demenciada Europa das formas generosas que não tem cabeça para tutelar os mais pequenotes.

Hoje fomos confrontados com a inabilidade mas infantil sinceridade dos Srs. Rajoy e Gaspar. O líder espanhol admite que poderá ter de tomar medidas de grande dimensão para salvar a banca espanhola, que nada o fará recuar nem que seja necessário subir o IVA. Como é que se pode ser tão inábil é coisa que Sextus sempre admira, mas também podemos recear que estas liberalidades sejam filhas da convicção que o nível de incompreensão a roçar a idiotia que aflige os espanhóis tudo permite. Talvez na novilíngua se observe que o disparate liberta.

O Sr. Gaspar, de uma forma mais servil como convém ao género luso, espécie ameaçada em via de extinção, proclamou que uma descida dos impostos antes de 2015/16 não seria aceite como de bom senso pelos mercados.

Ou seja, nesta altura, temos que apelar a grande imaginação para compreender estas magníficas tiradas. Mas só recorrendo à vulgar inteligência mediana diríamos que os tempos difíceis recomendam cautelas e silêncios aos políticos ou então divagações ambíguas. Emprestar e salvar sem controlar como pretende o Sr. Rajoy só como conto para adormecer à noite. Manter impostos altíssimos sem antes se descortinar acções claras para redução substancial da despesa e refugiar-se nos mercados é muito fraco e menoriza a pouca autoridade de quem o proclama.

Spengler tinha toda a razão mas não gostam dele: o socialismo político é a outra face da moeda do capitalismo financeiro social.

Alguns bem intencionados acreditam que a preservação da liberdade e dignidade humanas pode passar pelo individualismo sem fronteiras; estão provavelmente enganados, o individualismo sem fronteiras será a mesma coisa que o subhomem orwelliano. A dignidade e independência são cada vez mais incompatíveis com os movimentos agregacionistas, seja de estados, de empresas, de bancos, o que seja.

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2 respostas a Tempos difíceis recomendam boca calada ou divagações ambíguas ou os políticos actuais são bastante fracos

  1. JL - Viseu diz:

    Caro Sextos. Saudo na sua pessoa todos os Cafeínicos. Sextos tem-se mostrado o publicador principal do blog “Os Cafeínicos” (pelomenos parece ser o mais presente) e “chegando-se a Sextos chega-se a todos” (gostou desta?). Sou o amigo de Viseu do António Vieira Lopes convidado para o (para mim) inesquecivel jantar tertúlia de 22 de Fevereiro ùltimo no Cafeína Wine Bar que temia o Tó, sería o velório do blog “Os Cafeínicos” mas felizmente serviu para o “reavivar”. Tertúlias daquelas são um autêntico deleite e seria idiota e insensato acabar com elas (e com o blog que as sustenta), o nível dos Cafeínicos é sublime! O Tó Vieira Lopes simpaticamente já me enviou um convite para me torne autor em “Os Cafeínicos”, mas por enquanto prefiro ficar na posição mais cómoda de comentador do que na de autor. Entendo um blog como um espaço de completa liberdade qual “Speaker´s Corner” (esta expressão está aqui não por ter sido inspirada no ùltimo escrito de Sextos, o que não teria mal nenhum, mas de facto este comentário está feito para ser públicado desde 2 dias antes da públicação do escrito “Onde se fala monotonamente do habitual…”) onde cada um dos intervenientes expressa as suas opiniões sem a pretensão de as impôr seja a quem quer que seja pelo simples gozo de “dissertar”, às vezes com propósito às vezes mostrando as incoerências e inconcistências que todos também cometemos, fazendo-o não em cima de uma qualquer “grade de cervejas” mas num espaço “virtual” não “pisando” assim qualquer “solo pátreo” e não sujeitos assim a qualquer legislação. Um blog não entra pela casa de ninguém dentro, não lhes invade nem devassa a privacidade, os que lhe pretendam dar uma “vista de olhos”, têm de lhe abrir as suas “portas”. São estas as regras válidas e conforme as quais participo. Por isto, não é de estranhar que possa ser por vezes mais contundente e irónico fazendo sobretudo crítica e entenda-se esta por censurar,dizer mal, apreciar desfavoravelmente porque para mim crítica contrutiva é “Aplauso” que também o farei certamente. Só que neste Mundo em que vivemos, os tempos são cinzentos e o “estado de espírito” tende a tomar também essa côr e é dificil disfarçar a revolta levando-nos a “disparar” em todas as direcções fazendo o chamado “fogo de barragem”! Bom, já chega de introdução.
    Estou para fazer um comentário às eleições francesas desde pelo menos 1 semana antes da sua 1ª volta, depois era para ser na noite da derrota do petit Nicolas e finalmente é só agora, sob pena do timing já ser desajustado pois, naturalmente “rei morto, rei posto” e temo que já poucos se lembrem de quem foi Sarkozy…
    Sextos teve a sensatez e a humildade de reconhecer que se enganou ao prever a vitória do pequeno Nicolas (como carinhosamente a ele se dirige). Esta atitude só o enobrece pois, infelizes dos que nunca se enganam e raramente têm dúvidas (isto parece uma citação bíblica!) e ainda andam alguns por aí que assim pensam! Mas Sextos tem também de reconhecer que cometeu um erro crasso. Estive em França na primeira semana de Setembro passado (escassos dias antes da austeridade nos ter batido “a sério” à porta, mas disso falaremos noutra oportunidade) e ao folhear um dos principais diários francês no lobby do hotel, vi que as sondagens à data davam a vitória a qualquer um dos candidatos às primárias do PS contra Sarkosy, só Mme Royal sería derrotada por Sarko. Por isso já há muito que não tinha dúvidas que os franceses teriam a inteligência de mandar Sarkozy “chez Bruna”. Já estavamos todos fartos de Sarkozy (mas não só de Sarkozy) quanto mais os franceses (a estes já lhes dava nauseas e vómitos). Os políticos da actualidade e já desde há algum tempo (venham de onde vierem) são lixo, ordure, abfall, garbage, basura, immondizia e tornam-se “bafientos” rapidamente, este já tresandava a bafio, perdeu as eleições há muito ao ter-se transformado em “poupée” da chancelarina Merkel, aquela figura que não me parece outra coisa que não uma “aparatchik” produto das escolas do partido comunista de ex-RDA que não tivesse o muro de Berlim ter sido derrubado, hoje como todos os seus compatriotas oriundos da alemanha de leste não tinha onde “caír morta” e andaria a estender a mão à caridade (Não andava porque o pai estado comunista, não dava mais nada mas dava “cama, mesa e roupa lavada”. Bem sei que não deixava “sair à noite” nem “fumar” e que era severamente castigador com quem se “portava mal”e não “obedecia” às suas “regras”, daí compreender o ressentimento de quem sofreu as tiranias deste “pai”(tirano)). Ao aplicar tão empenhadamente o látego calvinista aos “católicos do sul” ou melhor aos PIGS (que não têm um ar tão porco!) esquece quem foram os primeiros incompridores (dos limites ao deficit)? Quem é que deu o exemplo? Ou o mau exemplo… Mas isto é assunto para muitas outras dissertações e esta já vai longa (e temo que cansativa). Hei-de pedir-vos muitos comentários a notícias, acontecimentos, a outros artigos que diariamente nos fazem pensar.
    Quanto ao “numéro gagnant que cést la même chose”, esperemos que pelo menos não seja mais um desses socialistas rafeiros (leia-se sem pedigree) da 3ª via (e 3ªs vias é nas autoestradas e por causa de termos deixado fazer tantas com muitas 3ªs vias é que, entre muitas outras coisas, estamos como estamos…) como essas “misérias” que foram Blair, Schröder, Brown que de socialistas só tinham o “rótulo” e foram mais liberais que muitos liberais (pelo menos desenvolveram ou deixaram desenvolver políticas muito mais liberais que alguns liberais), mas isto é assunto para o comentário ao escrito seguinte. Parece que “Graças a Deus” Hollande é um europeísta da linha de Jacques Delors, esperemos…
    Sextos, acabei por comentar pouco, perdi-me nos preliminares e em outros considerandos pois “isto” é viciante e agora já é muito tarde. Prometo (se não maçar) continuar em breve.
    Um abraço cafeínico do:
    Jorge Loureiro

  2. João Paulo Campos diz:

    Amigo/Irmão Jorge:
    Concordo com a linha geral do teu escrito, apesar de divergir em alguns pontos.
    Quando escrevo estas palavras, recebo a notícia de que há os primeiros sinais de divergência entre Merkel e Hollande, na questão dos eurobonds.
    Ele, entende ser este o caminho a seguir e ela, como sempre, não.
    Os eurobonds podem ser uma chave para alguma solidariedade e a solução europeia para a dívida dos estados. Ao Shauble (ministro das finanças alemão) começam a faltar-lhe os argumentos para a continua recusa.
    Com o avançar da crise, começa a tornar-se a única solução viável dentro do quadro existente.
    A não ser que se quebrem os paradigmas e se procurem outras vias.
    Mas isso será outra conversa….
    Mantém a tua habitual atenção á actualidade e continua a lançar questões.
    Eu vou manter-me atento.
    Até já

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