Onde se fala monotonamente do habitual: não há governo nem era suposto haver no tempo presente, aquém e além da Lusa Pátria

Os europeus estão a descobrir de forma lenta que não têm governo há muitos anos, o que é interessante mas não inovador. Quem conheça um pouco de história percebe que a ausência de governo é o modo mais duradouro de todos os governos, o que é uma benção comparativamente com os tempos em que os governos se agitam para provar que ainda cá estão.

Quem diz governo não deve restringir o seu significado á direcção do estado mas deve alargá-lo a múltiplas formas de administração de entidades empresariais, estatais ou privadas.

Há muito pouco a esperar de qualquer governo para além da sua única função importante que é ocupar um espaço de forma que este não seja preenchido pela explosão de entidades governativas. A principal função de um governo é representar como se governasse.

Uma personalidade americana punha este pensar de forma curiosa afirmando que preferia ser governado pelos duzentos primeiros e consecutivos nomes de uma lista telefónica de Boston que pelo conselho dos imaginativos professores de Harvard.

Sextus compreende que alguns não partilham estas reflexões mas vai contrapôr dois exemplos. Um, o índice da bolsa portuguesa recuou para o nível de 1996, após uma gigantesca despesa de capital durante este período – chamar governo ao administrar destas empresas só com manifesta cegueira. Dois, algo parecido se passa com os maiores índices de bolsa ocidentais, apesar dos últimos vinte anos compreenderem um período de visível progresso nas possibilidades de gestão e de decisão e na maior rapidez desses actos com o explodir da informatização.

A nível político é ainda mais paradigmático com a multiplicidade dos apelos ao desenhar de uma agenda de emprego e de crescimento em países que, dizem alguns, ainda podem recorrer a maior endividamento.

Manifestamente, os gestores do palácio de cristal não sabem o que fazer e nada disto é surpreendente, pelo contrário estava antecipado há décadas.

Nas correntes filosóficas sobre a ciência – Sextus recomenda T Kuhn e especialmente Ludwik Fleck – elabora-se sobre os trajectos mais comuns que a ciência percorre e que, compreensivelmente, são também trilhados noutras actividades humanas.

O edifício do palácio de cristal construído sobre os pilares do crescimento continuado (mesmo que admitindo vales nesse percurso) e da abundância de recursos para uma demografia equilibrada está em perigo.

Nos tempos mais próximos, as raposas ágeis vão continuar na boca da cena e podem mesmo lá ficar por muito tempo. Se isso acontecer, os bastidores do teatro mundial irão sofrer estragos de enorme dimensão.

Pergunta: diga um nome de uma raposa, ao menos. Sextus recomenda que se atente na resposta de Draghi, hoje, ao afirmar que favorece a permanência helénica na palácio da eurolândia.

PS: o Dr. Catroga falou hoje sobre as reformas estruturais e é bom ouvi-lo porque se trata de uma pessoa experiente, o lamento é que qualquer pessoa que consegue chegar ao “speaker’ s corner” dos tempos presentes nada pode (ou quase nada) dizer de interessante. Enfim lá falou das rendas e parece que bem mas não discorreu sobre outras mais importantes. Sextus congratula-se por Catroga, de uma forma subtil, afirmar o mesmo que ele: o programa troikiano está claramente aquém das necessidades reformadores do país, mas isso também era antecipável, os homens da troika não são reformadores porque não ambicionam nenhuma reforma importante mas sim ajustamentos que favoreçam os interesses de quem lhes paga.

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