Welcome to Europe Crystal Palace, you can check in any time you want but you can never leave

No palácio de cristal o tempo foi encurvado em extremo talvez como acontecerá nos limites do universo, se este for curvo. Um tempo hipercurvo tende a saltar para outra dimensão, o hipertempo.

No hipertempo o conhecimento foi esticado e encurvado até ao limite e já atingiu o consenso quase total, ou seja, chegou ao impasse.

 Tal como qualquer outra actividade humana, quando menos se espera emerge avassaladoramente a contradição e no palácio de cristal europeu destes dias (pensava~se que já não haveria dias, não se tinha decretado já o fim da história?) a principal actividade é a compra de tempo enquanto que não se sabe muito bem qual a melhor opção. O tempo no palácio de cristal é tal qual um elefante numa loja chinesa.

Este tempo tem sido muito bem usado, outra ironia. Tem sido empregue na criação de novos veículos financeiros para enroupar os défices e escapar ao constituir de provisões para as quais não há capital. Tem sido usado para realizar bons lucros com os empréstimos aos países do sul não intervencionados que já pagam taxas de 5 e 6% em paralelo com PIBs em recessão. Tem sido usado para deixar o curso da história seguir o seu tempo, forçá-la só muito raramente e são necessaárias boas doses de desepero, coragem e convicção.

Mas a natureza das coisas tem muita força e apesar de todas as vontades o escorpião tem de ferrar, neste caso diria mais um lobo que vai soprar até o palácio de cristal derrubar – os deuses sempre tiveram a mania da transfiguração e desta vez Clio vem em forma lupina.

Lentamente, a economia que nunca atingiu o Olimpo, logo é mesmo humana e não pode reclamar nenhuma ancestralidade semi-divina,vai ser empurrada da boca de cena, já lá está há muito tempo e agora o que canta é péssimo, desafinado, não há coro que sustente tal música.

Está a vir o tempo em que os habitantes do palácio de cristal sempre tranquilos pela subentendida mas inflexível regra do recepcionista anunciada acima no título vão descobrir que já não há porta de saída apenas porque o edifício desabou.

Certamente que isto ainda vai demorar algum tempo mas tal desmoronar será uma bondade; foi difícil para muitos entender que o palácio de cristal era uma prisão na sua essência e os donos não estavam lá, estavam no castelo onde ninguém os via, apenas se podia chegar à fala com alguns funcionários superiores. Este sistema de condomínio separado que parecia funcionar tão bem entrou em decadência por possuir demasiadas contradições – a contradição é a garantia de longevidade de qualquer sistema, demasiadas não são controláveis por mais do que algumas poucas gerações – as principais porque se baseava na estupificação constante e progressiva dos palacianos que cada vez mais ficavam incompetentes para assegurar o seu sustento e para pagar a cerveja que o castelo gostosamente fornecia.

A tragédia europeia chega a provocar o sorriso de tanta asneira. A Europa das formas generosas não percebeu que está atacada fatalmente por míngua de braços e de energia, esgotou as reservas de carvão, esgota brevemente as reservas de petróleo, está a esgotar a reserva de braços, quer porque não nascem quer porque não têm onde operar.

Não percebe que para impôr um paradigma tem que ter bocas, braços e canhões, deixou-se distrair pela treta do “Silicon Valley” que só vale porque tem o Texas e West Point. Para comandar o barco requer-se uma vantagem no conhecimento, na força e o assentimento de parte dos embarcadiços. Tudo isto a Europa perdeu, ainda não se habituou, coitada.

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Uma resposta a Welcome to Europe Crystal Palace, you can check in any time you want but you can never leave

  1. JL - Viseu diz:

    Não estou tão certo que “leave the Crystal Palace” seja “impossible mission”. É certo que nos “papeis”(tratado) que o nosso lixo, ordure, abfall, garbage, basura, immondizia (os políticos europeus) andaram a assinar desde o tratado fundador, o de Roma, esse sim com o projecto de um “real Crystal Palace”(não este palácio de vidro que nem laminado é que acabaram por construir e que quando se partir vai lançar estilhaços para toda a parte e provocar um inimaginável número de baixas), os Maastricht (o mais triste!), os Nices, os Lisboas (o porreiro pá!) que a maior parte cobardemente não deixou sujeitar ao escrutínio popular, alguns fugindo a referendos, alguns repetindo à exaustão eleições até obter o resultado combinado, ratificados na secretaria às escondidas dos Europeus. Uso esta classificação para caracterizar os políticos não que me mova qualquer acrimónia (mas acho que estou a desenvolver um anti-politiquismo primário), mas por ser a utilizada pelos “tão respeitadas” agências de rating e com a qual ninguém se ofende nem contesta. À luz desses “papeis” saír “is not possible” mas,os primeiros a desrespeitá-los foram os membros do directório que o fizeram a seu “bel prazer” enquanto deu jeito. Portanto não admira que os outros façam “letra morta” deles. O Olimpo não foi ouvido para a sua ratificação. O raio no avião de Hollande foi certamente proveniente do Olimpo mas não foi Clio (deusa tão citada neste blog) que o lançou, foi mesmo Zeus (seu pai) o soberano do Olimpo, deus do céu e do trovão. É que isto é sério! A Grécia quer uma moratória quer tempo para pagar, não quer “cortes de cabelo”.
    Nota: Há expressões cujo significado está explicado em comentários anteriores. Lêr esses comentários para um melhor entendimento.

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