O poder à procura da sua justificação nos momentos em que não consegue cumprir a segurança prometida

Não é fácil uma teoria do poder nem perceber quais são as principais expectativas dos governados. Sem dúvida que devem variar conforme a grandeza sobre qual esse poder é suposto ser exercido e conforme com o grau da ameaça percepcionada pelos governados.

Quando uma sociedade organiza e valida um poder abdica essencialmente de exercer violência sobre o outro sem a mediação do poder soberano mas nunca abdica da vontade (noutros tempos dir-se-ia do direito natural) e capacidade em se defender.

A evolução para maior complexidade e dimensão das sociedades tornou mais longíquo e menos distinto os pontos de origem e de apoio do poder.

Só os habituais arautos do imperador podem ainda reclamar a origem do poder na determinação do povo da nação. Sextus que é céptico mas não cínico, fica muito aliviado por saber que tal não é assim mas compreende que um poder efectivo depois de se organizar acaba por procurar sempre a validação popular. Tem sido o modus operandi, seja nas democracias, oligarquias ou ditaduras.

O estado social, criado há quatro gerações mas implementado de forma substantiva há duas gerações,  constituiu o último produto do poder para se justificar. O estado social foi paulatinamente capturando cada vez mais riqueza tendo atingido um quarto por volta do início dos anos setenta até aos níveis demenciais de 50% e mais ainda.

A ideia do estado social foi também profundamente prevertida (melhor, foi adapatada até ao seu devir inscrito desde o início), extravasando o núcleo social da protecção na doença, na velhice e no desemprego para depois incluir a prestação de cada vez mais serviços, primeiro a educação e a saúde, seguidas de uma panóplia de investimentos ditos infra-estruturais cada vez mais gigantescos e onerosos até aos imaginativos nichos da cultura e todos os seus derivados.

Esta fase, anunciada desde o início, foi capturada de forma completa pelo capital financeiro, que desde que teve à sua disposição uma enorme massa de dinheiro passou a oferecer os antecipáveis níveis de eficácia e eficiência quase nulos misturados com uma liberalidade de auto-pagamentos verdadeiramente obscenos.

O que espera a massa dos governados depois de perceber que foi conduzida acefalamente até ao buraco? Provavelmente o habitual, que haja um milagre, o povo pontua a sua monótona vida pela excitação do aberrante e do milagre.

Quando não é possível apresentar o milagre substitui-se pelo aberrante, outros preferem o grotesco mais suave da distracção tômbola-tetas.

O futuro modelado pelas raposas é de facto muito sombrio, incluindo para elas próprias que não conseguem dosear de forma apropriada o pagamento em senhas para o povo ir para a tômbola. Quando David Ricardo enunciou a tendência para a diminuição progressiva dos salários até ao mínimo possível fez história.

Sextus duvida que para o desesnrolar deste novelo fatalmente enrodilhado e preso se possa dispensar o colapso chinês. Contrariamente ao perigo amarelo anunciado há séculos, o solavanco deverá vir do desmoronar chinês e não do seu fortalecimento.

No intervalo, para um luso ouvir que a solução passa por uma maior redução salarial equivale a perceber quanto a troika nos valoriza, vá lá, mais ou menos ao nível da Roménia. É esse o plano, seremos a Roménia do ocidente, pena não termos carvão nem mafia. Só temos uns bacanos que fazem clips.

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