Uma redundância pouco qualificada não sabe apresentar a sua justificação

A origem do poder / governo deve ter sido complexa misturando pulsões genéticas e naturais com forças adquiridas.

No grupo das naturais temos a combinação do medo do outro com a tendência para a agregação, de forma que a gestão da violência é fundadora do poder.

Numa inteligente divisão, Hobbes acentuava que o contrato com o soberano incluia a transmissão do direito ao exercício da violência para a defesa do outro mas não do direito natural da violência para a defesa do própio. Com o evoluir, processo que durou alguns milénios, o poder percebeu que com a progressiva riqueza que ia acumulando poderia alargar a sua influência sobre outros sectores.

A prestação de apoio na doença, provavelmente herdada da assistência aos feridos em combate e o apoio à educação, forma de manter algum controlo no pensamento, terão sido as primeiras actividades extra violência a que o poder se dedicou. Com o avolumar do conhecimento emergiram formas de justiça cada vez mais complexas que mandataram a criação de um sistema ao lado do poder executivo.

Rapidamente, tempo de um século, menos um pouco, a invasão do poder na actividade das sociedades progrediu. A infantilização, consequente e desejada, foi muito profícua durante a segunda metade do século passado. Um novo contrato implícito foi selado entre o governado e o poder, ele aceita que lhe seja retirado parte do valor que consegue gerar em troca de vários serviços do estado.

A gestão da riqueza colectada sempre foi de qualidade média a muito fraca, residindo aí algumas das causas da pobreza e riqueza das nações. A riqueza colectada serviu, ao longo de milénios, para empregar os súbditos em obras redundantes ou de grandeza exuberante e desproporcionada ás potencialidades das nações. Destes exageros e erros de gestão brotaram aquilo que de relevante ficou desses tempos.

Quando algo ocorre que abala a confiança e status quo dos estados várias possibilidades se abriam no passado, desapareciam, eram dominados por outros ou mais raramente associavam-se. A tendência para a agregação é natural, por alguma razão os humanos são induzidos a correlacionar dimensão com capacidade para enfrentar problemas e crises.

No tempo presente, no mundo restrito do primeiro grupo de nações mais desenvolvidas, a aniquilação é evitada e prefere-se a subjugação mais ou menos acordada.

A crise do poder é evidente, não no sentido de diminuição do mesmo mas no sentido de mudança da figura. Quando a riqueza começou a abranger porções mais alargadas da sociedade o direito de votar acompanhou este movimento até chegar à universalidade. Este voto universal é muito recente e sempre foi muito discutido. Mais do que os ditos pais fundadores do estado americano, fortemente influenciados (quase todos) por um miticismo ao mesmo tempo renascentista e primitivo vale a pena reler W Bagehot.

Ao contrário do que muitos previam, essencialmente os filhos mais ou menos informados e ignorantes de Madison ou de Hamilton, a história reemergiu de forma muito azeda, como de costume.

A questão é como segurar o contrato entre o governado e o poder quando este está a mostrar que vai falhar no que prometia durante as três últimas gerações.

De forma rápida, durante algum tempo, a fase I, o poder tenta convencer que continua a cumprir o contrato, depois na II irá tentar passar a mensagem que o novo contrato a estabelecer é ainda vantajoso para o governado, o tempo III mais avançado na evolução fractura-se em duas alternativas, ou envereda pelo terror ou desaparece tal como tem sido e transmuta-se em algo muito diferente.

A PPC coube a transição de I para II e manifestamente é dificil e talvez não esteja configurado para isso. Convencer que o burrito é muito boa alternativa para o cavalo necessita de algum espírito, coisa que rareia nesta transição de fases.

Nesta transição, em ambiente de raridade o poder organizado torna-se uma redundância, ou seja um incómodo, um insecto a descartar pelo elefante

A compatibilização do ócio com a raridade é uma tarefa muito exigente se se pretender evitar a completa barbárie.

 

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