A queda controlada arrasta-se por décadas e algumas raposas mais espertas vão tirar proveito da desordem

Alguns mais ansiosos e crédulos poderão pensar que a crise económica e financeira pode evoluir para patamares mais próximos da ruptura, coisa que na verdade não vai ocorrer. Por muito extrema que seja a ansiedade, quanto mais tempo durar o espectáculo maior será a oportunidade para vender tabaco e chocolates, pode-se sempre fazer a contagem mais devagarinho e ajudar que o caído tontamente se levante.

Este momento da história, ainda de interlúdio, caracteriza-se por uma grande exposição da incapacidade de liderança, algo que não é novo, pelo contrário é tão velho como o homem, apenas fica mais exterior e apreensível do que nos momentos de maior abundância. Nos tempos correntes, mudam-se posições e ordens na fila.

Os últimos cinco anos têm sido muito bem aproveitados por alguns. Depois de duas décadas de velocidade e voracidade apreciáveis do mundo financeiro, a transferência colossal de riqueza para tapar e cobrir bastante bem as promessas loucas que serviam de base a crescimentos e lucros imaginados (e usufruídos) ainda vai continuar. Mais ainda quando todos agora nos apercebemos que enunciados muito antigos continuam válidos, particularmenet a activiade humana não se casa com a lógica e o limite do possível nunca é avistado atempadamente.

 Por exemplo, os famosos testes de stress bancário feitos há dez meses de uma forma competentíssima e rigorosa tiveram agora a contrapartida na banca cipriota, espanhola e ontem a inglesa. Tudo isto é desnervadamente engolido e apressadamente, absolutamente prontos para beber outro caldo da famosa poção dos testes. Os europeus estão diabéticos, com profunda neuropatia e défice e atraso cognitivos próprios da imensa arteriosclerose. Há milénios que sabemos que a actividade humana é essencialmente guiada pela emoção e pela primeira impressão. A emoção está muito embotada e a leitura tem a profundidade e a fiabilidade da retinopatia em grau três. O interessante é que os limites do diabético, quase amaurótico e eminentemente amputável podem ser afastados ainda por muito, o mundo globalizado financeiro tem uma resiliência (ah, estas saborosas palavras do fraseado gestionário) quase ilimitada.

Embora a crise ocidental tenha várias faces e diferentes arestas há uma base comum: o fim da supremacia económica ocidental, o regresso do pêndulo para o oriente donde se tinha deslocado há três centúrias. O que se vai manter é o poderio do mundo financeiro, iniciado há sete séculos.

O que está realmente em causa, pelo menso para as próximas décadas, é o preço a pagar pelo sector financeiro para manter as suas posições. Certamente que muitas das parcelas inscritas nos balanços dos bancos vão ter que ser apagadas, até aparecer esse momento, a riqueza acumulada com juros luzidios dos tempos recentes vai permitir compôr as coisas.

A Lusitãnea lá vai fazendo o seu caminho, que há muito não tem objectivo, logo em permanente ziguezague camuflado em análise inteligente da complexidade. A inconsequência lusa é famosa intra e extra-fronteiras, no passado, no presente e garantidamente no futuro. Se a diminuição do défice externo constitui uma excelente evolução e que só foi possível com a diminuição dos salários todo o essencial resta por fazer, esta diminuição apenas durará o tempo da renúncia dos outros a emprestar-nos, somos uns aplicados pagantes de juros, mas falimos com alguma regularidade, é certo.

Não haverá outra alternativa á diminuição dos impostos como estímulo para as realmente necessárias reformas estruturais. Por cada função do estado eliminada, mesmo que de modo parcial, por cada  poupança deverá haver diminuição de taxas.

Se perguntarem a Sextus se isso poderá ocorrer ele dirá que não. O aliado do mundo financeiro e da clique que capturou o estado é o lúmpen social e profissional e se há realmente algum plano esse passa pelo alargamento o mais amplo possível do lúmpen a quase todos os estratos sociais e grupos profissionais e há sempre último esca+pe, a criação do lúmpen intelectual. Mesmo os médicos, classe que conquistou um estatuto económico desafogado há séculos, podem servir como exemplo desta transacção.

O anúncio por um secretário de estado a assegurar a contratação de médicos para os hospitais é a tal moedinha de troca, a falta de médicos nos hospitais é uma coisa estapafúrdia mas que conquistou os foros da consensualidade. De facto não é o trabalho mas a estupidez que liberta, não o secretário convenhamos mas quem o ouve.

Muito mais dífícil de provar a gritante falta de clínicos foi que a presença de ouro em terras de além-tejo. E aqui exemplifica-se o permanente temor de Sextus: que pensar de uma administração que não consegue descortinar uma riqueza no seu território em zona conhecida como formadora de ouro  e que não escapa a uns simpáticos canadianos que certamente já fizeram um sólido contrato. Tão português, não cuidamos de nós, somos as pequenas aves da humanidade, esperamso que nos atirem algum milho ou que possamos aproveitar enquanto que os donos não tomam posse das culturas. aquilo que os  canadianso nos vão pagar vai deixar tanto rasto como os 120 mil milhões de euros ontem libertados pelo banco de sua majestade britânica.

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