A corrupção apenas acelera a história e sinaliza a presença de raposas em excesso e um afastamento demasiado longo dos leões, que são preguiçosos e atacam sempre no último momento, mas ganham – é verdade que depois voltam a dormir, mas não se pode ir contra a natureza

A Lusitãnea-cacânea assiste a um recrudescer de um pseudodebate sobre a corrupção. Sextus não dá nenhuma moedinha para este peditório. A corrupção é inerente à actividade humana, a corrupção é a filha primogénita de Clio.

A deriva para este debate moralizante é ineficaz, apenas contribui para expôr ao ridículo alguns arautos secundários -faz parte da sua missão, eles bem o sabem – no exercício da defesa do indefensável. Por vezes, no pacote vêm ataques a personalidades que se dedicam à luta anti-corrupção, tudo isso faz parte desse teatro secundário e grotesco onde se defendem as raposas e vilipendiam-se os caçadores (alguns são mais imaginativos como uma pequena cidade do Alasca onde optaram por um gato para presidente um gato, já duas vezes reeleito, já que não faz asneiras e como despesa de representação sai bem barato).

O que é mais importante na corrupção é a correlação da sua grandeza com a dificuldade desse regime. Por definição, há tanto mais corrupção quanto mais dinheiro estiver colectado pelo estado e / ou quanto mais difícil se torna obter vantagens na luta agreste e viva entre as raposas do regime. Quando elas percepcionam a diminuição do bolo a distribuir, o nível predatório cresce e inevitavelmente os estragos também – a ingénua e infeliz frase de PPC, pôr “porcaria” na ventoínha. Reescrito, quanto o sistema entra em crise a corrupção aumenta e entra-se num ciclo vicioso. Infelizmente é algo que é muito penoso para o homem reconhecer, a “gentlemanship” está acasalada com a abundância, embora não lhe seja muito fiel, foi uma das vantagens do feudalismo, só era verdadeiramente nobre quem não precisava de assegurar o seu sustento, depois o regime entrou em colapso.

(O mito do glorioso século XIX de costumes britânico é filho deste casamento, quem estabelecia as regras ajuizadamente em seu benefício dedicava-se depois a glorificar o seu cumprimento, embora a abundância britânica sempre estve amancebada com a corrupção, os britânicos são aproveitadores implacáveis de oportunidades e como individualistas têm maior audácia mas também mais consciência dos perigos porque os vivenciam, do que os colectivistas).

Sextus sempre aqui defendeu a atitude médica da profilaxia, quer principalmente via diminuição das taxas que são o meio de recolecção dos recursos pelas raposas quer por aplicação de metodologias, mais do que leis, que afastem a actividade económica do mundo dos tribunais e do mundo dos pareceres. É verdade que pelo meio, Sextus tem a consciência do pesar em testemunhar a venda ao desbarato de uma quantia importante de bens, mas isso era uma das consequências inevitáveis de nos termos a jeito ao pedir o resgaste. 

A história ainda vai ter que aguardar até poder apresentar nova peça de teatro. Alguns gostariam de contribuir para que a substituição do espectáculo por outro se fizesse com poucos custos e estragos, mas não é assim que as coisas se passam.

A grande mudança impossível de prever é antecipar qual o resultado desta combinação:nunca antes os potencias candidatos a tomar a boca da cena tinham sido tão numerosos e tão manipulados e impreparados. Quantas luzes vão ter de se apagar na cidade, qual o estrago inerente ao ataque dos leões na escuridão.

Dois mil e quinhentos anos depois, poucos capítulos há que acrescentar à República. O rei continua pouco sábio. (O comentário de Cameron que o RU continuaria a viver em clima de austeridade até 2020 mostra ingenuidade e impreparação; pobres ingleses, dependem das raposas da City) e a espécie humana sempre foi muito sobreavaliada, tinha que o ser tendo em conta a entidade reguladora de avaliação.

 

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