Ninguém sabe o que fazer, quem precisa de ajuda está mal entregue ou Sextus responde que muito mais que a corrupção a ignorância e a impreparação são muito mais decisivos

Uma coisa que se aprende em medicina e não só é que devemos saber que tipo de perguntas se pode pedir a um exame auxiliar e o meu amigo JP sabe-o melhor do que Sextus.

A governância do ocidente não está capaz de enfrentar o problema porque uns não querem, outros não sabem e logo fogem e outros não identificam problema algum.

Os que não querem apesar de ter apreendido o problema radica na sabedoria e esperança de que os limites de resistência costumam ser ainda mais distantes do que cremos. Temos sido governados desde a II Guerra por uma postura progressivamente mais audaz. Alguns, os mais importantes, acreditam que as possibilidades de ganhos ainda podem ser optimizadas e os riscos a tomar podem ser sempre muito atenuados com a transferência dos mesmos para a população. Num post anterior Sextus tinha realçado esse casamento que estav inscrito nas estrelas entre os governo-empresas e o mundo financeiro. O debate indirecto sobre os benefícios e malefícios deste conúbio foi vivo e pode ser claramente identificado na crise que T Rosevelt teve que enfrentar no fim da primeira década do século XX. Os vencedores deste debate mantêm-se vitoriosos sempre que se revisitou o problema nos cem anos posteriores.

Este matrimónio tem sido muito ousado, neste momento o governo dos EUA devem cerca de 15 triliões de dólares e os governos da CE devem pouco menos que 6 triliões – alguns amigos mais influenciados por uma visão demasiado economicista afirmam que o bom desempenho americano apesar de uma dívida per capita cinco vezes superior à europeia se sustenta nos chamados fundamentais da economia americana mas Sextus acredita que só uma pequena parte disso se verifica, a maior base de apoio repousa no muito mais tradicional poder de fogo americano comletamente dominante e sem rival.

Aqui começa a residir a ignorância dos que não sabem, muito influenciados por teorias económicas que foram desenvolvidas como todas as ciências sociais, com uma construção apoiada num caso, normalização muito apressada e depois quando outros exemplos não verificam a teoria martela-se a realidade. Esta é a forma ancestral de edificação de conhecimento das ciências sociais e não vai mudar (como a corrupção, meu caro amigo). Neste momento somos parcialmente vítimas disso, alguns acreditavam mesmo que a austeridade seria rapidamente seguida por uma retoma vigorosa. Bom, agora veio um dos cinco sábios alemães, o Sr. Bofinger a recomendar a suspensão da austeridade nos países que estão em recessão (as exportações alemãs estão a cair).

Hoje a Microsoft reportou o primeiro exercício negativo em vinte e seis anos, o que não é nada de anormal, o que foi estranho foi que milhões de humanos e empresas acreditassem que tinham de mudar de program de dois em dois anos, etc.

Os tempos são estranhos para quem acha que nada muda e tudo continua sempre igual. a Lusitãnea -cacãnea vai descobrir pela primeira vez na sua história que a dependência significativa de um aliado forte não vai poder repetir-se porque o dinheiro pouco abunda e os nossos potenciais senhores não mandam muito, ou pelos menos, mandam demasiado pouco.

A luta contra a corrupção não é muito importante, porque o que correu muito mal não foram as luvas, foi a crença irracional que o modelo tinha vitalidade para muito tempo. O problema foi que os governos e os banqueiros só viram o muro já com o nariz esborrachado. Os robalos, as alheiras, os pãos-de-ló, etc, etc apenas avisam que o gosto de quem nos governa é algo deplorável.

O pior é a incompetência e aí tolerá-la por muito tempo paga-se muito caro. O decepcionante é intuír que além dos medos de que fala Lobo Antunes a impreparação misturada com a irrequietude e volubilidade das raposas vai provocar estragos consideráveis.

Como nota exemplificativa Sextus ilustra com a trajectória de dois ministros, P machado e A Branco, um contrata médicos sem saber se precisa deles e antes da reforma hospitalar, outro promove cinco mil militares. O que é que isto tem a ver com a corrupção? Não é isto que vai condicionar o nosso futuro?

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