Do optimismo de César das Neves só se sustenta a nossa pequenez mas não podemos correr o risco de ficar invisíveis

O verão de 2012 está a candidatar-se a um lugar na história e começa a parecer provável que daqui a doze meses tenhamos muito que recordar. Estas alturas são propícias a erros e acertos com muito significado.

A Espanha prepara-se para içar a bandeira branca de forma clara apesar de todo o seu histórico orgulho que tinha atingido novo zénite com Aznar. Este governante iludiu e talvez se tenha iludido, é sempre difícil descortinar a impreparação da ilusão de manada. Passou pela cabeça dos espanhóis e de muita gente aliás, que a Espanha tinha voltado a ser importante. O fenómeno da expansão da língua, potenciado ao máximo com o assumir do bilinguismo em vários estados dos EUA, acrescido das receitas gigantescas do turismo, resultado quer das praias mas também do impressionante património cultural dos vizinhos, apimentado por alguns raides do capital espanhol sobre importantes entidades económicas e financeiras do sub-continente latino-americano criaram essa ilusão. A solicitação do resgate pela Catalunha, hojé à tarde, marca o caminho pela ladeira abaixo. Já não se trata das comunidades mediterrãnicas de Múrcia e Valência mas da mais importante região ibérica que apresenta uma dívida autonómica de pelo menos 42 mil M euros.

Amanhã ou nos próximos dias, o tempo que for necessário para tentar encontrar na novilíngua o significante para resgate, ele será sussurrado  de forma ensurdecedora.

A Lusitânea-cacânea vai ser abanada mas de forma proporcionada á sua grandeza mas tem que apresentar rapidamente uma imagem que a descole dos castelhanos.

Ontem, no quase único programa com produto de células cinzentas na tv, César das Neves de forma esfuziante elaborou vários comentários sobre a situação portuguesa e mundial que radicam, ao contrário do que ele diz, em ideias antigas e que não provaram como verificadoras da descrição do mundo económico das últimas décadas.

Ele continua a propagandear que a inovação vai ser fundamental e que o ocidente, dado o seu avanço vai garantir o melhor do bolo. Manifestamente não olhou para as curvas do aumento do PIB mundial que vem a decrescer desde há mais de vinte anos, início do tal período dourado da inovação permanente e da instalação de um computador em qualquer secretária de uma empresa prá-frentex, ele próprio ligado á internet. Claro que Sextus não nega a importância destes avanços mas o entusiasmo da manada deve ter de passar por um escrutínio mais duro.

Depois César das Neves acredita que os orientais são estúpidos embora certamente abra a excepção para os coreanos e os japoneses. Quando os últimos apareceram Sextus também se lembra de ouvir que eles eram apenas bons copiadores mas coitados, eram desprovidos da imaginação.

César das Neves compreende que é importante apreender que a descontinuidade do crescimento é inevitável e até desejável, Sextus anui mas recorda que teria sido avisado avançar com essa teoria no início dos anos noventa do século passado de forma a evitar endividamentos de quatro a cinco anos de PIB como acontece em várias regiões do ocidente (e Japão).

Finalmente, o estado social que César das Neves acha que ainda se pode manter, embora reformado não é sustentável por uma análise detalhada, principalmente se César das Neves parasse no seu entusiasmo para aceitar facilmente, não duvida Sextus, que a queda dos salários inevitável torna a descida do PIB também inevitável, não interessa se a produtividade per capita aumenta um ou dois por cento, logo o bolo para o estado social encurta.

Voltamos á lusa pátria. O mais aconselhável será continuar a cumprir o protocolo com os nossos credores mas apostar de forma decisiva e publicitada num descolar da europa e num retomar da tradição atlântica e índica de Portugal, a via mais sólida para sairmos o melhor possível da ligação demasiado forte à Espanha e à europa do norte que nunca nos levoua sério (e a justo título, diga-se de passagem).

Um dos dilemas mais determinantes será combinar o “no news, good news” com “quem não aparece, esquece” .

Pode ser que PPC tenha percebido que isto pode correr mesmo mal. Até agora não, ainda acredita que mais do mesmo chega, faz parte da sua natureza de governante, realmente na história os governantes não mudam, a história é que se encarrega de mudar várias vezes de líderes até voltar a não precisar da visibilidade deles na boca de cena. 

Mas não é pela luta anti-corrupção que se promove tal, é pela luta pela maior capacidade possível a instalar nos lugares de decisão. Sextus reconhece que para identificar isso também há besonha de muito que cá nunca abundou, nem o Sr. Bilhim irá encontrar (pelo menos pelos critérios que anuncia).

Enfim, Sextus contaminado por César das Neves já sobreaqueceu, enfim também é muito raro, espero.

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