Sextus propõe mais uma leitura sobre a crise nas terras do ocidente tomando como fonte os oceanos

Os problemas e as ansiedades que emergiram com a crise nas terras do ocidente são tratados de maneiras diferentes, nem outra coisa seria de esperar, sendo que um subgrupo de analistas recorre com frequência ao que ocorreu nas crises de 1907 e 1930 por serem bastante similares, segundo reclamam.

Sextus pensa de modo diferente e já aqui sublinhou que a maior lição a tirar da primeira delas foi a morte do risco moral e o triunfo total do socialismo. Desde essa data, vivemos em regime de socialismo financeiro, cada vez mais voraz e a engulir cada vez maiores tranches da actividade económica. Spengler assinalou-o de forma clara mas muito poucos concordaram. Crises financeiras já ocorreram múltiplas vezes, é verdade que desta vez o mundo financeiro ainda tem sido mais totalizante na imposição dos seus interesses. Conseguiu facilmente e com a cobertura magnífica da imprensa que controla (já dizia Spengler que quando lhe falavam sobre a liberdade de imprensa inquiria sempre sobre quem a pagava) captar quantidades muito significativas de capital (os alívios quantitativos nos EUA e na CE – são sempre muito imaginativos a encontrar denominações para tudo e mais alguma coisa os nossos financeiros) a custo quase zero que depois diligentemente emprestam a taxas que a desamparada economia real não consegue emparelhar com o seu potencial de crescimento, reduzido a praticamente zero e com margens de lucro cada vez mais esmagadas. Com estes lucros o mundo financeiro reequilibra os seus desvarios e quando for necessário será confortado pelos seus empregados superiores (superioríssimos, diga-se) que lá explicarão soturnamente aos contribuintes que é necessário salvar mais alguma instituição financeira em apuros. Estão cá na Lusitãnea-cacânea, estão em todo o lado e são funcionários eficazes, subiram até ao topo nas empresas-governo e nas outras empresas construídas pela empresa-governo mãe.

Talvez muito mais similar á crise ocidental foi a implosão, mas lenta de séculos de duração, do império romano. Na nossa crise estão em competição dois tipos de sociedade que se separaram há séculos mas que a história voltou a pôr em diálogo concreto. O grupo oriental está mais atrasado, é muito menos requintado, é muito mais pobre mas conta com algumas vantagens. Tal como os bárbaros, os orientais são muito mais numerosos, têm muito maior capacidade de adaptação a novas situações exigindo poucas coisas ao ambiente, querem invadir o rico ocidente e estão a aprender várias coisas com o vizinho mais desenvolvido. Há mil e quinhentos anos, o império em implosão quis acreditar que conseguiria aculturar os bárbaros e usá-los em seu benefício, pensava que algumas superioridades orgazinativas e culturais chegariam para a predominância. Tal não foi possível e os atrasados no desenvolvimento histórico ganharam, o estado romano tinha crescido em demasia e prometia mais do que as receitas que angariava podiam permitir.

Há muitos milhares de anos, a espécie animal dominante na crosta terrestre também não se conseguiu adaptar às condições de raridade alimentar e solar.

O que pode acontecer ao homem ocidental é ser novamente ultrapassado por quem não valoriza da mesma forma o indivíduo, a segurança e o conforto e não necessita da teatralização da vida pública porque aí e de forma paradoxalmente contraditória, recupera a necessidade de individualismo para patamares desta vez muito superiores ao ocidental.

 Segundo a sabedoria actual há quatro movimentos principais nos oceanos – as ondas, as marés, as correntes profundas e as correntes do fundo do oceano. De certa forma os movimentos das ondas são de soma nula, para a frente e para trás, tal como o das marés. Provocantemente, estes dois movimentos podem gerar resultados muito importantes e quem souber melhor o seu regime mais aproveitamento consegue. (Sextus parodia o “inside information”, força das mais poderosas na construção da grandeza do mundo financeiro). Mas em bom rigor e olhando para longos períodos, tudo fica no mesmo sítio com as ondas e as marés.

As correntes profundas entre as centenas de metros e os mil a dois mil metros deslocam-se de forma mais lenta mas movem realmente enormes quantidades de oceano embora voltem ao ponto de partida ao fim de alguns meses – na história foram as múltiplas crises financeiras dos últimos duzentos anos.

As correntes do fundo do oceano são muito lentas e dão a volta á terra de forma sinusoidal ao fim de cerca de dois mil anos. Para Sextus é disto que estamos a enfrentar.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s