Realmente o regabofe financeiro continua e de que maneira ou como se resolveu o problema no retiro do javali

Um céptico diplomado tem que pontualmente suspender o seu julgamento sobre a bondade do seu paradigma e tem que sobreviver debaixo do peso da incoerência. Aliás um dos problemas de um céptico é conviver com a apreensão, que pretende o mais completa possível, da complexidade, tia do pensamento incoerente, segundo a formatação ocidental.

Nestes tempos, somos lembrados repetidamente que os mercados são complexos e estão dotados do “animal spirit”. Se isto é verdade, quem se deixa comandar por alguém com espírito animal é porque já perdeu qualquer veleidade de guiar e determinar o seu devir, é o que aconteceu à Lusitãnea. Quem chegou a este ponto já não pode perceber Braudel quando este afirma que o futuro não se prevê, prepara-se nem De Gaulle quando dizia que não existem fatalidades mas sim renúncias.

A nossa atitude é a própria ao submetido à ameaça animal, deixou-se encurralar.

Esta visita da troika está a correr um bocado pior do que Sextus previu (já há muito aqui confessou que inerente ao céptico é a sua pouca possibilidade de previsão, se tal existe). Claro que tal não pode ser proclamado, pelo contrário tudo vai bem na novilíngua. Mas a admissão de PPC de que não pode garantir que não haverá mais impostos é uma frase pouco trabalhada da novilíngua que traduzida quer dizer, fomos comanditados pela troika para aumentar os impostos. A realidade ultrapassa sempre a ficção, um pretenso neoliberal aumenta impostos, dentro do seu inabalável credo de que se hoje está sol é porque vai chover muito amanhã (o que é em parte verdade, os crentes têm sempre parte da verdade, mas os não crentes também).

Este programa assinado com a troika começa a resvalar para um ciclo involutivo que se auto-alimenta já que continha uma contradição insanável: empresta em condições muitíssimo piores do que as economias concorrentes conseguem nos mercados. Para o programa de ajustamento ter sucesso, a condição do empréstimo seria uma redução das despesas ainda mais profunda acompanhada de um apertado controlo sobre a implementação dessas medidas em paralelo com condições de financiamente concorrenciais.

Mas não, o que está a acontecer é que os periféricos em crise estão a pagar as férias e os livros escolares dos franceses e dos alemães, veja-se a incompreensível taxa dos juros do empréstimo que a França contraiu hoje para períodos de dez e quinze anos. Realmente o lucro obtido com os países do clube Med é tão grande que dá para fazer simpatias muito relevantes aos clientes habituais.

O que se verifica aqui é mais uma vez a muito má eficiência dos mercados (já Mandelbrot escreveu um livro sobre isso que também os neoliberais não devem ter lido) ao alocar recursos de forma medíocre – uma das falhas conceptuais do neoliberalismo é que não atenta a que o primeiro momento do mercado onde se poderia teorizar sobre a sua eficiência, algo como uma evolução darwinista é seguido por tempos secundários que já são dominados pela perda de eficiência e de energia, algo como a entropia de qualquer sistema; só com Cat Stevens é que “morning has broken like the first morning, blackbird has spoken like the first bird”. Não admira, que se saiba praticamente não tem havido mexidas na gestão dos grandes bancos ou outras sociedades financeiras, um sector em que a ineficiência fica tão impune como nas empresas estatais – provavelmente é Bilhim o grande consultor de recursos humanos de todo esse mundo. E de certo modo, Sextus tem que admitir que nunca houve um lucro tão grande do mundo financeiro em tempos de crise como hoje, logo tudo indica que esta conjuntura vai perdurar o máximo de tempo possível, só mesmo o alto nível de desemprego é que será o motor de qualquer mudança, relegando o problema da dívida soberana ou privada para um segundo plano. È o problema, a falta de sustentabilidade, coisa com que um animal não se pode preocupar pois não tem consciência da sua morte já assegurada – ou será que têm e já agora que se morra satisfeitinho, estão a ver como um céptico tem que frequentemente suspender o seu julgamento.

O aumento de impostos anunciado vai tornar mais fundo o leito onde assentará a Lusitânea, de volta para a irrelevância e atraso vivido em grande parte dos séculos XVII, XVIII e XIX.

Em suma, no afamado retiro de javali ocorreu mais um evento: a mesa cinco onde se serviu o saboroso ungulado regado com pera manca tinto levantou-se sem pagar e o dono do restaurante decidiu resolver a situação oferecendo a refeição á mesa um que comeu codorniz e bebeu seven-up e debitando javali ás mesas dois, três e quatro que comeram franguinho no churrasco, pato lacado e borrego assado regados com coca-cola, vinho frisante e porta da ravessa.

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