A linha amarga que liga cinco Pedros em Portugal

Continua a trajectória lusa de lento e profundo declínio sendo muito difícil perspectivar aonde irá estabilizar. As novas medidas restritivas anunciadas estão muito longe de ser suficientes, provavelmente nem sequer garantiriam um défice de 4%, quanto mais 3%, conforme previsto no pacote inicial para 2013. A crer nalgumas informações, o défice no momento andará à volta de 6%, isto beneficiando dos cortes já impostos,  logo decorre necessariamente que o aumento da receita do estado oriundo da subida de 7% na contribuição mensal dos salários dos que trabalham no sector privado nunca poderá levar as contas para 3%. Se a isto adicionarmos a previsível contracção da economia provocada pela diminuição das receitas do trabalho e mais ainda pela diminuição da população em cerca de mais 100 a 150 mil a ocorrer durante 2013, manifestamente estamos apenas a adiar a declaração de bancarrota. De facto, os juros de todas as dívidas cobrem já mais de 10% do produto, seja privado ou público. 

O país não pagará aquilo que deve, isso já é líquido e portanto os médicos á periferia da troika vão entreter-nos até pagarmos o mais possível.

Se houvesse algum vestígio de racionalidade na actividade humana, dado o tempo decorrido, já teríamos produzido um exaustivo elenco dos erros cometidos e um ou dois planos alternativos para o futuro.

De facto plano já há: manter até ser possível o social-capitalismo que nos domina: impostos atrás de impostos para redistribuir incentivos que nada têm a ver com a eficiência dos mercados, mas os ditos neoliberais são uma trupe engraçada e muito contraditória – agora alguns até escrevem que em tempos de recessão é muito difícil ser neoliberal, isto dito em linguagem mais popular quer dizer quando há menos farinha no depósito nota-se mais os sacos entregues para os padeiros mais amigos, quando o armazém está mais cheio ninguém assume as funções de vigilância, estão todos ocupados na logística do carregamento.

Todo este programa é parcialmente eficaz porque só lida parcialmente com os problemas, está é a tradição lusa, lidar parcialmente com tudo.

Não vai haver nenhum desligar entre a população e o governo, nunca houve, apenas um frágil desejo que isso acontecesse mas o passado não favorecia esse contrato.

Não vai haver reforma nenhuma estrutural, nunca houve nem aqui nem em parte nenhuma do mundo, isso simplesmente não existe, as sociedades não se reformam, mudam e adaptam-se a alterações mais ou menos profundas de contexto, não se reformam, conformam-se.

O que vai haver é o embate de várias décadas de desnorte da governância (a habitual veneração de Sextus pela trupe dos gestores), umas vezes genuína, outras nem tanto, a todos os níveis, mas principalmente nos que decidem as grandes tendências, os bancos e os governos.

A mudança decisiva, avançada timidamente por PPC nas primeiras semanas, essa já está em curso, a emigração. Há mais uma tragédia nesta repetição, desta vez vai ser ainda mais polidireccional, nunca formando núcleos de emigrantes com capacidade centrípeta marcada e capaz de reestabelecer ligações proveitosas com a origem, a grande vantagem irlandesa que desloca mais de metade dos que saem em direcção a uma pequena faixa de trezentos quilómetros do outro lado do atlântico.

Sextus pede desculpa por não se lembrar quem é o autor de uma excelente frase definidora do que somos: Portugal é um país em viagem que de tempos a tempos atraca na Europa.

A  grande mudança estrutural é discernir o apitar a sirene da desatracagem. O resto meus amigos está tristemente escrito nas cartas de D. Pedro, o príncipe das sete partes e que cumpriu o seu destino: morreu na batalha.

A outra evolução, mais profunda, que o mundo irá adoptar para tentar acomodar a chegada de um novo período de estagnação, não passa por aqui, seremos informados com muito pouco e ser-nos-á imposto, sem alternativa.

Algo liga cinco Pedros de Portugal: a impotência para prevenir a atracção pela impossibilidade – Pedro I, a impotência para alterar a vontade suicidária – Pedro irmão de Duarte, a impotência para assumir a solidão difícil da nação independente – Pedro II, em afrontar os ventos contrários para assumir um projecto único – Pedro IV, a impotência em delinear uma fronteira -PPC.

Têm todos antecessores e seguidores, a nossa elite intelectual repete à exaustão que sempre dependemos do exterior, a superelite financeira depende de todos nós que pagamos impostos.

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