Segunda-feira num país inviável após o vazio do fim de semana

Depois de um fim de semana com bom tempo e desfiles com grande dimensão em vários pontos do país, chegou mais uma segunda-feira num país inviável.

Sextus gostaria de contribuir para alguma clarificação adicional mas sabe que aquilo que diz além de nada entusiasmante não se conforma com ideias vigentes nas últimas décadas. Mas é preciso que cada um vista a sua pele.

Primeiro ponto, uma lembrança, os governos nunca serviram para resolver os problemas, os governos acomodam-se á evolução dos problemas e tentam manter o status quo até à exaustão; servem além disso para lançar impostos e desde o último século, dedicam-se a vários negócios, particularmente nas áreas dos serviços, sendo empregadores de uma grande massa de nacionais. O actual governo conforma-se, como seria intuitivo, com este modelo. O que vem fazendo enquadra-se num esforço para cumprir ordens exteriores e manter muito do que foi construído na organização nacional nas úiltimas décadas. A saber, uma reorientação muito marcada da receita de impostos para obras públicas, para algumas empresas de bens quase monopolistas que nunca podem permitir a chamada destruição criativa, ou seja, se a empresa não cumprir terá que ser sempre reerguida porque o seu produto não é substituível. Nesta actividade estão ainda dependurados uma massa considerável de profissionais ditos liberais mas que na realidade não competem em mercado livre mas em tráfico de influências e acesso a informação antecipada e priveligiada.

Segundo, a estratégia do governo não vai conseguir cumprir parte dos seus objectivos, o que diga-se é muito frequente na actividade humana. Olhando para o pequena diminuição do défice obtida com esta estratégia racionalmente prevê-se que serão necessárias mais mudanças, não vai ser possível manter todos os benefícios que o estado assegurava. Nem mesmo com uma taxação mais aprofundada e uma maior redução dos salários. Vai ser necessário remover alguns dos convidados da primeira fila do acesso á farinha estatal, mais que os que já foram afastados – o grupo das obras públicas. Esta mudança adicional nos ocupantes da primeira fila está a trazer grande tensão ao governo que não consegue escolher e continua a acalentar o sonho de só com cortes salariais e impostos atinge o que lhe é pedido.

Terceiro, a dívida actual tornou o país inviável para uma parte muito significativa da sua população que emigra á razão de cerca de dez mil nacionais por mês. Os que aqui vão ficando são arremetidos para uma posição ainda mais difícil.

Quarto, o país não tem qualidade de gestão e não tem capital suficiente. O segundo ponto já tínhamos publicitado por toda a parte, o primeiro ponto é mais difícil de aceitar porque quem quer fazer a opinião pública não está preparado para declarar a sua incompetência. Nesta última avaliação da competitividade em cerca de 145 países, a qualidade de gestão portuguesa fica abaixo do centésimo lugar e a do governo abaixo do septuagésimo. Aquilo para que a nossa natureza nos arrasta é para continuarmos a sermos criados de quem se governa um pouco melhor.

Quinto, é possível este sistema político que apenas pode prometer a servidão a um patrão severo mas com alguma compreensão da nossa menoridade e um retrocesso ordenado durante mais tempo do que muitos julgam. Sextus acredita que se pode conduzir uma nação até patamares muito abaixo do que aquilo que foi. A restauração portuguesa de 1640 foi mais um acaso do que uma acção planeada e persistente e a venda das terras durienses a ingleses é outro exemplo próprio de uma nação sem orgulho nem meios apropriados, ou melhor, como qualquer pobre, não sabe administrar aquilo que apesar de tudo tem. Este governo tem potencial para durar muito mais, embora seja verdade que nem PPC nem PP sejam especialmente amadurecidos para o lugar. O que este governo precisa é de continuar a exercer a ilusão de que está a resolver o problema financeiro e económico, na realidade a sociedade encarrega-se disso de qualquer maneira e apesar do obstáculo do governo. Talvez que uma remodelação possa ajudar mas não será necessária em absoluto, há apenas um ministro, Crato, os outros são todos fraquinhos, embora seja prejudicial que tal se aplica ao ministro das finanças, não é muito grave, o país está falido. (Como outro exemplo da má administração mas que nunca passará para a massa é o desempenho do ministro da saúde, agora exemplificado pela tentativa de manter abertas urgências recorrendo á deslocação dos médicos, erro de que os nossos colegas da nau europeia estão a salvo por beneficiarem de uma gestão de melhor qualidade; se uma estrela de gestão do firmamento luso é o ministro da saúde, imagine-se outros).

Sexto, o que realmente de novo está a acontecer é o desaparecimento da opinião pública. Pode uma sociedade viver sem opinião pública, está é a grande dúvida. No fundo é saber se Tatcher tinha razão, há ou não sociedade. Sextus fica perturbado ao lembrar que uma das condições da sociedade orwelliana é o desaparecimento da opinião pública, erradicada que é pela doutrinação e vigilância permanentes. É sabido que a opinião pública está sempre muito afastada de uma construção sensata e aproximada da realidade, a dúvida é qual o resultado de uma opinião que por ser tão fractal e esquizóide impede a sua edificação na sociedade, vai esta em busca de uma para ocupar esse vazio, ou essa ausência apenas contribui para esvaziar o balão sociedade?

Ao contrário de muitos dos seus amigos, Sextus receia que a mistura das ideias anglo-saxónicas transformadas pela globalização combinadas com o pensamento chinês moderno descambe numa tragédia. De facto a parte boa das ideias anglo-saxónicas, o individualismo, pode ser engolida pelo conceito globalizante financeiro e assim, do indivíduo importante porque resume em si a sociedade passamos ao indivíduo irrelevante, desaparecido no magma social mexido por uma super-elite invisível.

Também tristemente, a Lusitãnea nada tem a dizer nem será convocada a tal. Talvez que a saída esteja na assunção plena do que ficou atrás escrito, ou seja a saída e desatracagem de novo da Europa. Mas será que é exequível mudar antes de chocar com o muro, a história diz que não.

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