Expectativas negativas e insegurança promovem desejo de reunião ou quando a elite acalenta gerir um exército de criados de quarto e de mesa

Expectativas negativas partilhadas por uma maioria de uma sociedade ocorrem com certa frequência através da história, mas talvez mais vezes nos povos meridionais e orientais. O sentimento de insegurança sobre que repousam e que provocam gera depois pulsões de agregação populacional mais efectiva. Talvez resida aqui parte da comprovada maior seriedade de gestão nos nórdicos, sempre mais ameaçados e de forma brutal do que os do centro e sul das terras do ocidente. A fome esteve sempre á espreita, enquanto que as zonas húmidas e mais temperadas sustentavam de forma mais consistente as populações. Os povos do sul e orientais, ameaçados pela escassez permanente dos alimentos ou por uma sobrepopulação crónica não reagiram da mesma maneira que os nórdicos, certamente por algumas razões, uma delas porque a diversidade é a norma dos comportamentos humanos mas provavelmente porque a vivência da morte é necessariamente diferente num povo escasso comparativamente com um povo sobreabundante.

No que respeita à relação com os governos, Sextus já aqui tem lembrado que desde que há registos, ela é má. Quem disso possa duvidar bastar-lhe-á, ler um pouco de  Confúcio, Lao Tao, Bíblia, Platão, Tácito, Fernão Lopes, Maquiavel, Swift, Dickens e muitos outros. Apenas a vaidade compreensível, mas por definição exagerada dos ingleses durante o século XIX, acompanhada dos sonhos das primícias da formação da nação anglo-saxónica do outro lado do oceano, amplamente publicitados por um Tocqueville que confundiu um momento com uma qualidade estrutural, levou alguns a pensar que uma funda desconfiança  entre governo e súbditos traduziam uma situação de ameaça. Mesmo o glorioso século vitoriano engloba leituras menos extáticas da qualidade governativa de Disraeli, Gladstone ou Cecil Rhodes. Esse século foi, lembremo-nos, o do fim da adolescência da humanidade.

Nesta semana, soubemos dos resultados de um inquérito da UC em que praticamente três quartos dos inquiridos sentia-se desligada do governo presente e não sonhava melhor com o seu sucessor. Nos EUA, em 1960, 65% da população confiava na administração, fossem republicanos ou democratas enquanto que no presente, 30% dos democratas confiam no governo o que é partilhado por apenas 5% dos republicanos. este enorme afastamento entre governados e governantes nada tem de novo.

O que realmente é quase novo é a percepção por muitos de que entregamos aos outros as decisões sobre opções muito importantes e, tal como seria de esperar, o erro é a regra o acertar só é um pouco melhor do que no jogo – aliás é interessante que a inefável disciplina da gestão incorpora modelos de jogo na sua análise. Durante décadas a pouquíssima qualidade de decisão quer na empresa estado quer nas empresas privadas foi acomodada com moderada dificuldade, as vantagens competitivas dos ocidentais permitia tal. Nos últimos cinquenta anos a realidae vem mudando, como tudo.

Esta crise ocidental tem dois componentes principais, um deriva do facto de não estarmos sozinhos, o fenómeno da globalização, o outro resulta da má qualidade decisória observada nas últimas décadas em todo mas mais agudamente no ocidente, não porque seja pior do que o oriente, apenas porque ainda tem mais capital para aplicar.

Para reforçar o que aqui se diz, veja-se o caso da banca inglesa e espanhola que apenas escaparam á falência porque os contribuintes lá meteram uma quantia considerável de dinheiro.

Perdemos o controlo do movimento do capital, mesmo em países com superior organização, a Alemanha regista uma incapacidade de reter capital nas últimas duas décadas.

Quando a situação piorar ainda um pouco mais, com o terror instalado e misturado de forma surpreendente com uma grande apatia vamos procurar o refúgio do grupo, do grande grupo.

Ao contrário de muitos, Sextus acredita que uma evolução desse cariz constituirá a pior possível para a Lusitãnea, mas infelizmente quase inevitável.

Não repete a nossa elite que o destino de Portugal são os serviços aos reformados ricos, não parece que o sonho que ela acalenta é ser o capataz do exército de criados de quarto e de mesa.

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