A negação do teorema de Sutton numa sociedade de sombras ou nem a troika passa no exame nem nós somos bons alunos

Qualquer crise faz refugiar os principais actores no teatro de sombras representado para uma plateia escurecida e adormecida. Da crise do actual executivo governamental têm brotado frases mais iluminantes do que seria de esperar, parece que em tempos conturbados nem a contra-informação é bem gerida.

Hoje de manhã, Sextus ouviu o Sr. Camilo Lourenço justificar o aumento dos impostos como forma de ir buscar dinheiro onde ele existe, á classe média. Ficou de um fôlego em pantanas o teorema de Sutton que bem sabia que o dinheiro se encontrava nos bancos – Sextus promove uma actualização necessária,  e também nos cofres dos governos, no tempo de Sutton ainda não se tinha concluído a socialização completa do mundo ocidental; obviamente que existe dinheiro noutros lados mas em menor abundãncia.

Outra poderosa afirmação do mesmo senhor Camilo é a conhecida tese de que não somos competitivos -facto – porque temos custos de produção altos resultantes de salários altos (isto já é fruto das imaginações de estrangeiros ou de estrangeirados).

É pena que o senhor Camilo não veja programas do Sr. Medina Carreira ou então não percebe o que ele diz. Sextus ajuda e refresca: os salários são demasiado baixos, os custos de produção são de facto muito altos por má qualidade de gestão operativa, pouca massa de capital, custos de contextos muito mais pesados que noutros sítios mas mais vistos em paragens mais orientais e meridionais, justiça ineficaz, etc, etc.

Estamos a chegar a uma fase em que o falhanço parece ser mais inevitável, Sextus volta a enganar-se, pensava que este governo, fraquíssimo é verdade, mas isso era pouco relevante, não impediria que a sociedade fosse corrigindo o que era necessário depois da redução salarial e da emigração em curso. Mas a ineficácia estatal é ainda muito pesada e os erros da gestão governamental começam a desequilibrar a balança. Mesmo a subida do IRS constitui outro erro, grande parte dos que seriam atingidos vão fugir, a enorme massa que vai perder um ou dois mil euros de imposto vai reflectir na diminuição da procura afundando ainda mais a actividade. Tinha sido muito mais lógico aumentar o IVA deixando a cada um a liberdade de escolher o que e o quanto iria consumir, enquanto que o mais importante, a verdadeira redução da despesa não permitisse uma rápida diminuição da carga fiscal. Além disso, a fuga que também se registaria no IVA interessaria muito mais os produtos nacionais que os importados.

Essa diminuição, para além das famosas gorduras que já deviam ter sido muito reduzidas mas que também não chegariam, seria feito através de uma draconiana redução das contrapartidas das PPP e do abandono do recurso aos bancos nacionais e estrangeiros como principais financiadores do estado, recorrendo ao modo japonês que consegue ter 95% da sua colossal dívida nas mãos nacionais – mais de 10% do orçamento vai para juros da dívida.

Mas isso seria exequível se houvesse governo e não um conjunto de representantes de quem tem dinheiro actuando com a ajuda do inevitável coro das vozes imaginosa neoliberais, usando o fraseado da troika no comentário à alteração falhada da TSU – também em Bruxelas se tem praticado uma curiosa montagem financeira com o BCE a emprestar entre 0.5% e 1% aos outros bancos que depois recolocam a 3, 4, 5 e 6% – há que lembrar que parte desse dinheiro vem dos impostos dos europeus, cerca de dois terços, outra parte é feito do nada, dos computadores simpáticos de Frankfurt. Tudo isto é tão absurdo que nem Musil facilmente imaginaria

Certamente  ainda não chegou o tempo de Sutton ser vingado. É preciso esticar mais a corda – olhem a FIAT pode constituir uma boa lanterna desde que cumpra a sua ameaça de abandonar a Itália.

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