Há uma linha de demarcação…, não, não há ou quando o concurso para o disparate bate recordes de inscrições

A grande maioria das pessoas ainda interpreta de forma literal as funções do governo que todos aprendemos na escola e quase todos na família. Poucos recordam a origem dos governos e as suas actividades desde o início desses tempos. Como diriam os gestores do presente, a actividade nuclear dos governos repousa na cobrança de impostos e aquilo que faz ao dinheiro angariado vai variando ao longo dos tempos e dos locais.

A Lusitãnea não apresenta um registo histórico de boa aplicação dos impostos e não irá, com toda a probabilidade,  apresentar no futuro. Talvez isto constitua um dos fundamentos do pensamento político mais bem cimentado de PPC e Sextus só pode estar de acordo. Onde as ideias escoradoras de um esboço de teoria começarão a possivelmente divergir – qualquer bom  céptico está incapaz de abraçar com muita convicção uma teoria que não inclua vários pontos de cautela sobre a sua limitação – radica nalgumas derivações.

Provavelmente PPC ainda não compreendeu muito bem que um estado reduzido tem que ser bastante mais eficaz que o actual, talvez exiga uma eficácia para além do possível. Esta eficácia na política implica sempre uma inteligente condução do seu cerimonial, coisa que só um apaniguado muito disciplinado na sua acefalia intermitente pode afirmar estar a ocorrer.

Se houvesse uma linha de demarcação, PPC nunca teria aceite que Gaspar anunciasse que técnicos do FMI estão a colaborar no desenho do plano de refundação do estado, não se trata se sim ou não se são úteis, trata-se do crimonial não incluir a hipótese da sua presença. Claro, que aqueles que já estão para lá da nacionalidade proclamam a irrelevância e enfileiram a coluna crescente dos internacionalistas crentes que um país periférico pode ser adequadamente governado desde o centro. São os últimos companheiros de estrada de Fukuyama, mesmo que este já não seja visto a pisar tais caminhos, querem relegar para o inconsciente todo um rico passado de tragédias nacionais quando tal ocorre, seja em que época ou latitude. Já não acreditam em Tucídides, já não conseguem perceber a guerra do Peloponeso, confundem a vivência das suas vidas e quando muito dos seus pais com o destino histórico.

A confissão pública da ajuda levanta ainda outra máscara que Sextus já tinha comentado há muito, isto é, nem o plano da troika nem o seu cumprimento são bons. Impressiona até ver as sucessivas excelentes notas que forma aparecendo em certos jornais sobre os sucessivos exames trimestrais e a pouca quantidade de mudanças relevantes implementadas. Enfim, outra versão dos intermináveis cadernos dos critérios de acreditação e similares que embora cumpridos podem corresponder a instituições com insuficiente qualidade nas suas prestações. Como diria um semanário, de muito bom em muito bom até ao chumbo final. 

Para além de realidades muito duras que surgem de novo com a natural mudança dos tempos e dos mundos, a demografia e a transitória anulação do espaço serão as mais marcantes, um dos factores que mais tem contribuido para termos chegado a este atoleiro deriva da gritante insuficiente qualidade dos titulare dos poderes.

Sextus está convicto que progressivamente estará criada a consciência sobre a maior bondade em abandonarmos a CE, não apenas o euro, de forma a reerguer algumas fronteiras. Até agora esta estratégia seria repudiada por quase todos e, embora o grau de voluntarismo subjacente a este unanimismo fosse divorciado do conhecimento histórico, alguns argumentos utilitaristas podiam ser avançados para essa adesão.

Dois, talvez principais, podiam ser avançados, um relacionado com os proveitos em pertencer de forma mais integrada a uma grande extensão de países com vantagens civilizacionais invejadas e muito significativas que permaneceriam pelo menos durante as décadas seguintes, o outro relacionado com o desejo de ver a administração luisitana impregnada e melhorada pela dos seus mais avançados comparsas europeus. Sextus também partilhou algumas destas ideias, particularmente a segunda, agora já não.

A falta de qualidade moral e profissional dos nossos parceiros europeus em nada desmereçe a nossa. Sextus já aqui afirmou que o modelo siciliano triunfou, primeiro na península, depois exportou-se para França e finalmente para os EUA e daí para todos os locais fora da cultura oriental, onde a corrupção sempre foi marcante e componente quase criador dessas sociedades.

Correntemente, com acrescente complexidade dos sistemas sociais a incompetência relativa emergiu de forma mais exuberante. No fundo, ao baptizarmos os humores financeiros e económicos como “animal spirits” estávamos a reconhecer que a nossa componente racional capitulava perante as forças mais emocionais e independentes da racionalidade. A isto veio juntar-se a incompetência para além desse espírito. E aqui radica a desilusão de Sextus: a evidência da incompetência europeia, uma vezes disfarçada de tal para dar guarida a motivos inconfessáveis mas que nos são claramente prejudiciais, quer como nação ,quer como classe média em parte transnacional, outras vezes pura e dura leva-nos a ter que reconhecer que nada nos pode animar a permanecer integrado em tais grupos, incapazes por incapazes fiquemos pelos nossos que são em menor número, logo com provável menos potencial destrutivo.

O último exemplo disso  é espelhado pelas agora incontinenentes revelações do oráculo de Berlim, o sr. Schauble que ontem recomendou aos USA e ao Japão que devem trilhar um caminho semelhante ao alemão e a outros países europeus. O Sr. Schauble está tristemente esquecido que os seus colegas americanos apresentam um rácio de dívida pública / PIB inferior a metade do que apresenta o alemão, apesar de menos de 30% do PIB ser capturado pelo estado por comparação com os 40% teutónicos nquanto que os nipónicos sofrem de uma dívida pública descomunal é verdade, mas também só retêm no estado menos de 30% e 95% dessa dívida está na mão de nacionais, o que está longe de ocorrer com a Alemanha. Enfim, o sr. Shauble “dit n’importe quoi”.

Ainda vai demorar algum tempo a que esta parte do mundo compreenda que não vai poder retomar o crescimento dos últimos duzentos anos e logo, quem justamente receia o futuro não pode continuar a viver do crédito. Quem se endividou muito no passado não vai poder pagar a dívida,  vai declarar falência com as inevitáveis consequências para os devedores e para os credores, muito mais para os primeiros como sempre foi.

Continuar a querer negar isto é a tarefa dos credores, os juros têm sido óptimos e certamente o mundo financeiro vai retardar até para além do limite esta percepção, ajudado no terreno pelos seus melhores funcionários, os políticos. Infelizmente, também, aqui Sextus não está convencido que exista uma linha de demarcação entre incompetência com incapacidade de idealizar o quadro nos momentos próximos – a história do burro – e a mais pura ganância irresponsável.

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